Teresinha: a santa de todas as JMJ

Reflexão de Frei Patrício Sciadini, ocd sobre a padroeira da JMJ Rio 2013. A capela da Feira Vocacional conta com a presença de relíquias de Santa Teresinha

Cairo, (Zenit.org) | 505 visitas

Prometi e devo ser fiel às promessas de escrever uma pequena reflexão para Zenit sobre Santa Teresinha, Padroeira da JMJ no Rio de Janeiro. Já o título é bastante significativo, é a Santa que está presente em todas as JMJ pelo seu entusiasmo missionário.

Faz anos que leio os escritos de Teresa do Menino Jesus com vários olhos. No início lia com uma certa desconfiança e ceticismo. Era estudante de filosofia e onde me deram para ler História de uma Alma. Não gostei e não senti por esta Santa dulcificada nenhuma atração. Mas lentamente ela entrou na minha vida e me ensinou que o amor é sempre doce, terno, delicado. Me fez compreender o que diz João da Cruz: “o amor com amor se paga”. Hoje Teresinha é minha mestra e carinhosamente chamo de “minha secretária particular”, que me dá tudo o que eu necessito. Para mim não manda flores, mas toda a floricultura. Teresinha é o pequeno caminho que nos leva a Jesus. “Quero amar Jesus e torná-lo amado”.

É uma jovem que soube viver desde sua infância o entusiasmo por Jesus Cristo, que foi crescendo em sua vida até a plenitude. Teresa do Menino Jesus, nascida numa família de classe média alta do seu tempo, mimada por todos os lados pelo pai, pelas irmãs, com uma afetividade acesa, com que sabia fazer “o jogo” na família e parentes, para que todos vissem que ela existia e que não podia passar despercebida, foi capaz no momento certo, de fazer uma ruptura com tudo e decidir-se só por Jesus, o seu grande amigo e seu único amor. Os jovens têm fogo no sangue, entusiasmo, sonhos, veem longe, têm uma capacidade de seduzir os “velhos” com simplicidade e com arte.

Hoje na Igreja creio que não se encontre ninguém que não goste da espiritualidade de Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. O Papa João Paulo II a proclamou Doutora da Igreja e lhe conferiu o título “Doutora da ciência do amor”, uma frase que ela mesma escreveu na História de uma Alma, dizendo “é isto que eu quero”. E foi doutora da ciência do amor, uma ciência que não se aprende nas universidades humanas, mas sim entrando no coração de Jesus, onde ele mesmo “é o único mestre” que nos guia. O caminho que Teresa traça é de verdade fascinante. Todos podem percorrê-lo, não há nenhum segredo e nenhum sacrifício sobre humano, é a simples, serena aceitação da vida com suas alegrias e suas lutas. É neste amor a Jesus que ela nos faz percorrer o caminho breve, curto e totalmente novo do abandono e da confiança. Uma confiança que não conhece limites e que dá coragem a todos que Teresa vai descobrindo lentamente a plenitude de sua vocação. Não é na entrada no Carmelo e nem logo depois, mas depois de um tempo quando sente dentro de si a angústia da santidade: “quero ser Santa, mas não posso ser como os santos de outrora, não tenho forças, então serei Santa por um caminho novo.”

Ela encontra sua vocação que é fonte de todas as vocações, é ousada, corajosa. Não lhe basta uma só vocação, mas quer vive-las todas, desde o martírio à missionaridade, ao profetismo, ao ensino, mas como fazer? É na busca de uma resposta que ela a encontra na palavra de Deus, no capítulo 12 da 1ª. Carta de S. Paulo aos Coríntios, no grande capítulo dos carismas. Ela, com uma energia que não se pode medir diz: “encontrei a minha vocação que encerra todas e que me permite de realizar todas. A Igreja é um corpo e a parte mais nobre do corpo é o coração...” Então radiante de alegria escreve: “no coração da Igreja minha mãe serei o amor”.

Os jovens necessitam dar espaço, encontrar asas para voar: “nas asas do amor não corro, mas voo.” Os jovens necessitam sentirem-se impulsionados para a missão, encorajado para o trabalho evangelizador, precisam encontrar na Igreja modelos de missionaridade que estejam à altura da própria vida. “Pela oração e pelo sacrifício serei missionária!” Se a missão não nasce do amor e da oração é “sino que toca, vazio e sem o amor.”

Propor aos jovens Teresinha como Padroeira é propor para os jovens o amplo leque de todas a vocações, do matrimônio, da vocação religiosa, da vocação contemplativa, da vocação missionária, da vocação de leigos engajados, da vocação sacerdotal. Não foi por acaso o seu grande sonho ser sacerdote? “Com quanto amor chamaria Jesus no altar, com quanto amor o daria às almas!” Não foi o seu grande sonho ser missionária até os extremos confins do mundo, para implantar a cruz de Cristo? Os santos – e os santos jovens como Teresinha - não calculam, não medem palavras e nem esforços, são capazes de tudo, de qualquer sacrifício.

Hoje, mais do que nunca, Teresinha diz ao coração de todos os jovens: não tenhais medo, com Jesus tudo é possível e com ele se chega a todos os corações e a todos os lugares. Não foi por acaso o seu primeiro “filho espiritual” o assassino Alessandro Prazini, pelo qual rezou, fez penitência e pediu orações, e teve alegria de ver convertido. É assim que fazem os santos e que nos ensinam: “Os nossos preferidos são sempre aqueles que não conhecem Jesus ou pelo pecado rejeitam Jesus.” Que Santa Teresinha esteja presente no coração de todos os jovens na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro!

A capela da Feira Vocacional da JMJ Rio 2013 que acontece entre os dias 23 e 26 de julho, das 8h às 20h, na Quinta da Boa Vista, conta com a presença de relíquias de Santa Teresinha (Santa Teresa de Liseux), patrona da JMJ Rio2013.