Tesouro da passagem do Papa por Portugal não pode ficar escondido

Bispos indicam leitura, reflexão e oração sobre falas de Bento XVI

| 1300 visitas

FÁTIMA, sexta-feira, 18 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Os bispos de Portugal afirmam que as propostas e desafios que Bento XVI deixou em sua passagem pelo país “precisam de ser lidos, refletidos e rezados, a fim de que se tornem operativos”.

“O precioso tesouro da passagem entre nós do Sucessor de Pedro não pode ficar escondido nos arquivos nem perdido na saudade desse acontecimento profundamente festivo. Tem que ser posto a render para que as nossas Igrejas locais se revitalizem, ultrapassando rotinas e desalentos, e sejam mais santas, criativas e apostólicas.”

Essa afirmação consta no comunicado final da Assembleia Plenária Extraordinária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que se reuniu em Fátima de 14 a 16 de junho, sob o tema “Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal – Interpelações sócio-culturais”.

Segundo a CEP, o programa em que a Igreja está empenhada, ‘Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal’, “deverá ter sempre presente as mensagens que o Santo Padre nos deixou, como fonte de inspiração, como incentivo e norma de ação”.

“Os discursos e homilias do Papa em Portugal deverão também ser recordados e aplicados nas diversas acções de pastoral: cursos e retiros, pregações e palestras, planos pastorais e outras iniciativas”, indicam os bispos.

Programa

Na assembleia desta semana, a CEP aprovou o Instrumento de trabalho que orientará o itinerário sinodal da Igreja em Portugal até novembro de 2011. Não de trata de realizar um sínodo nacional propriamente dito, “mas tão só adotar o espírito e o estilo sinodal”.

O objetivo é promover “um caminho para repensar a pastoral da Igreja em Portugal, de modo a adequá-la melhor ao mandato recebido de Jesus e às circunstâncias atuais”.

Os múltiplos agentes pastorais (bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, movimentos, associações de fiéis e outras obras eclesiais) estarão envolvidos nesse esforço de repensar a pastoral.

O método com que se inicia esta caminhada é o “discernimento pastoral”. Trata-se de um processo de “observação, análise e perscrutação dos sinais de Deus na realidade da vida da Sociedade e da Igreja”, explica o texto da CEP.

O objetivo deste caminho eclesial é “chegar à consciência clara do que realmente move a Igreja na ação pastoral e à convicção de que sem uma confiança firme e a comunhão profunda com Cristo e em Cristo nada se pode fazer”.

Para pôr em andamento este processo, a Conferência Episcopal propõe “a todos os pastores das dioceses e aos dirigentes e responsáveis das variadas expressões da Igreja em Portugal a prática da comunhão e da colaboração eclesial em ordem à identificação das linhas comuns de ação pastoral”.

“Elas não porão em causa o caminho e as legítimas opções de cada diocese ou organismo eclesial mas deverão inspirá-las e constituir o horizonte comum de referência”, explica o documento.

Em meados de 2011, tendo em mãos as considerações das dioceses e diferentes instâncias da Igreja, a CEP definirá as orientações pastorais comuns para a Igreja no país.

Questões

De acordo com o Instrumento de trabalho da CEP, analisando a situação da Igreja em Portugal, “parecem emergir três questões cuja resposta pode indicar o caminho para as prioridades da ação pastoral”.

São elas: “a exigência da formação cristã”, “o empenho criativo, ardente e frutuoso na nova evangelização”; e “a reorganização das comunidades cristãs, que passa pela descoberta de novas formas de exercício do ministério sacerdotal e a implementação da diversidade de ministérios eclesiais”.

Para o discernimento pastoral, a CEP indica ainda que o clero, os fiéis e todos os participantes nas atividades da Igreja reflitam sobre duas “grandes questões”, uma sobre “a leitura de fé dos sinais de Deus na sociedade e outra sobre os sinais e indicadores do Espírito Santo na própria vida da Igreja”.

O primeiro questionamento diz: “Igreja em Portugal, ‘que vês na noite’ da sociedade em que vives (cf. Is 21, 11)? Quais os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e o que podes tu oferecer-lhes?”

Em seguida, pergunta-se: “Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do Espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes...) a apontar‑te o estilo de vida cristã e a ‘nova maneira de ser Igreja’ adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?”

(Alexandre Ribeiro)