Timor Leste: Em meio à instabilidade, primeiro-ministro renuncia

30.000 pessoas encontraram refúgio em instalações da Igreja Católica

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KÖNIGSTEIN (Alemanha), segunda-feira, 26 de junho de 2006 (ZENIT.org).- O primeiro-ministro de Timor Leste, Mari Alfatiri, no cargo desde que o país alcançou a independência da Indonésia em 2002, demitiu-se esta segunda-feira, após semanas de agitação política.



Alkatiri está sendo responsabilizado por grande parte da opinião pública timorense de causar a onda de violência ocorrida no país após a expulsão, em março, de 600 militares --um terço de todos os efetivos do país-- por se manifestarem para exigir o fim da discriminação étnica.

Cerca de 30 pessoas morreram em enfrentamentos nas ruas de Díli após a expulsão dos militares. Gangues de civis armados iniciaram confrontos que inicialmente foram atribuídos às disputas entre as etnias "lorosae" (oriundos do leste do país) e "loromono" (ocidentais).

Outras 100 mil pessoas fugiram de suas casas em Díli. Elas ainda permanecem, em grande parte, em campos de refugiados ou em igrejas e seminários católicos.

Forças de segurança da Austrália, Malásia, Portugal e Nova Zelândia auxiliam o governo do país a controlar a situação de violência.

No dia 21 de junho, à raiz dos distúrbios na capital, o presidente Xanana Gusmão declarou que renunciaria caso Alkatiri não se demitisse.

Após o encontro celebrado na semana passada com o presidente de Timor, Dom Alberto Ricardo da Silva, bispo de Díli, também pediu a demissão de Alkatiri. O prelado assinalou que o primeiro-ministro deveria «escutar a voz do povo».

Entretanto, um evangelizador que pede anonimato explicou a entidade Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) que a «instabilidade política continua» em Timor Leste.

«Desde o início dos problemas, a Igreja oferece alojamento e ajuda à população refugiada em seminário, paróquias e centros escolares, principalmente nos centros Dom Bosco e das Irmãs Canossianas, onde se calcula que mais de 30.000 pessoas encontraram refúgio».

Em uma entrevista à emissora católica portuguesa Radio Renascença, o padre Apolinário Guterres, vigário-geral de Díli, rogou aos cristãos do mundo que rezem pelo povo de Timor.

O sacerdote afirmou ainda que o mais importante é encontrar a melhor solução para o país, independentemente das posições dos políticos.