"Toda criança precisa de uma mãe e de um pai"

Uma longa marcha, ontem, em Washington, para enfatizar a importância do casamento e da família natural. O arcebispo de São Francisco: "Nenhuma lei pode alterar a natureza"

Roma, (Zenit.org) Federico Cenci | 463 visitas

Nem mesmo o calor escaldante e as nuvens carregadas de chuva são uma ameaça capaz de deter as muitas pessoas que, nos Estados Unidos, estão lutando para defender a família tradicional. Testemunho nesse sentido foi ontem, 19 de junho, a longa procissão que na Capitol Hill, a colina de Washington onde surge uma das duas casas do Congresso, manifestou a convicção de que "toda criança precisa de uma mãe e de um pai".

Convicção escrita no coração e nas ideias dos milhares de participantes da segunda Marcha para o Matrimônio de ontem, bem como da extensa "minoria silenciosa" do País norte-americano. Uma minoria que se expressou claramente em várias ocasiões, por exemplo, em novembro de 2008, na Califórnia, quando o 52,8% dos eleitores aprovaram uma proposta que acrescentava à Constituição da Califórnia a definição de matrimônio como união entre homem e mulher.

A vontade do povo de nada valeu. O Supremo Tribunal Federal, de fato, como resultado de uma ação movida por um casal homossexual contra o Governador da Califórnia, que lhe havia negado a possibilidade de se casar, sancionou o reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Uma sentença que deixou sinais profundos na sensibilidade democrática do povo americano. Não é casual que a primeira edição da Marcha para o Matrimônio tenha acontecido no dia 26 de março de 2013, justamente no dia em que as togas estavam expressando-se sobre a questão do casal homossexual da Califórnia.

"Nós nunca aceitaremos decisões que redefinam algo evidentemente óbvio como o fato de que é preciso um homem e uma mulher para se fazer um matrimônio”, disse ontem Brian Brown, presidente do National Organization for Marriage. “Isso é só o começo – continuou, dirigindo o próprio olhar para o Congresso – estaremos aqui todos os anos para lutar pela verdade”.

Essa luta, aludida pelo presidente da organização, têm que lidar com um grande setor da política americana que promove uma interpretação original do conceito de matrimônio. O presidente Obama não deixou de elogiar publicamente a decisão da Corte Suprema de Março de 2013, chamando-a de "um passo histórico para a igualdade nos matrimônios".

São de opiniões diferentes, no entanto, Mike Huckabee, ex-governador republicano do Arkansas, e Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, que concorreu para a nomeação republicana à presidência em 2012. Em seu discurso na marcha ontem, Huckabee lembrou os momentos em que ainda não tinham surgido ideologias radicais capazes de minar princípios, em um tempo, compartilhados transversalmente.

"Tem havido um passado onde liberais e conservadores, na América, estavam de acordo sobre o fato de que o matrimônio é fundamental para a estrutura, a longevidade e a estabilidade da sociedade", disse Huckabee. Depois explicou que "alguns de nós não renunciamos a tal noção” e que “existem muitas formas diferentes de governo, mas se os fundamentos colapsam, desmorona-se tudo ao seu redor”. E a família “representa este fundamento”, muitas vezes prejudicado por um conceito errado de matrimônio, de acordo com o católico Santorum.

De fato, o ex-senador explicou como a definição de matrimônio, como "ideia romântica" seja um erro, porque abre o caminho para todo tipo de união. Em vez disso, afirmou, o matrimônio é “uma relação única entre um homem e uma mulher com o objetivo de ter e criar filhos e formar, assim, uma família”. Esta união é a única – disse Santorum tomando emprestado o slogam da Marcha – que pode garantir às crianças o direito de “ter uma mãe e um pai e uma vida estável” dentro de um definido núcleo familiar.

O Estado do qual era senador Santorum, a Pensilvânia, tornou-se em maio, o 19° Estado onde os juízes derrubaram a proibição de matrimônios homossexuais, facilitando, assim, o caminho para o governo federal reconhecer esta forma de união. Sam Roher, presidente de uma rede de pastores da Pensilvânia, admitiu que a questão "não foi resolvida ainda", porque o Supremo Tribunal Federal a está investigando. No entanto,  ressaltou: "O Tribunal não é a máxima autoridade, mas sim Deus".

A marcha foi apoiada pela Conferência Episcopal da América do Norte. Presente entre os manifestantes, o Arcebispo de São Francisco, Mons. Salvatore J. Cordileone, e o Bispo de Buffalo (NY), Mons. Richard J. Malone. Apaixonado o discurso de Mons. Cordileone, que disse: "Sim, nós temos que mostrar amor. O amor é a resposta. Mas o amor na verdade. E a verdade é que cada criança vem de uma mãe e de um pai, e, deliberadamente, privar uma criança de conhecer e de ser amada por sua mãe e seu pai é uma injustiça real e verdadeira". "Esta é a nossa própria natureza; - Disse o arcebispo - nenhuma lei pode mudar isso". (Trad.TS)