Trabalho humano deve ser permeado de espiritualidade, afirma cardeal

Segundo Dom Geraldo Agnelo, o trabalho exprime e realiza a dignidade da pessoa

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SALVADOR, segunda-feira, 17 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- O trabalho humano é não só uma necessidade, mas também, ao ser desenvolvido com amor, contribui para o progresso terreno e também para o crescimento do reino de Deus, afirma um cardeal brasileiro.



O arcebispo primaz do Brasil, Dom Geraldo Agnelo, explica, em mensagem aos fiéis remetida a Zenit, que o trabalho humano «é, simultaneamente, necessidade vital e afirmação de liberdade, sinal de dependência e de transcendência em relação à natureza».

«O homem trabalha porque é sujeito inteligente, capaz de projetar e operar criativamente», destaca o arcebispo de Salvador (Bahia).

Segundo Dom Geraldo, enquanto produz coisas úteis, o ser humano também «desenvolve a sua humanidade e um conjunto de valores importantes, como iniciativa, coragem, realismo, tenacidade, ordem e solidariedade».

Para o arcebispo, o trabalho exprime e realiza a dignidade da pessoa. «Deste modo, pode se falar de um direito do homem ao trabalho: a própria liberdade, respiração da pessoa é, de certo modo, condicionada pelas exigências primordiais do trabalho e do pão, especialmente para a gente pobre.»

O cardeal destaca então que, para que o trabalho possa revelar e manter o seu sentido, não deve gastar todas as energias.

«Deve deixar espaço para a contemplação, para a amizade, para a família e para o lazer. Eis a finalidade do repouso, tendente não só à recuperação das forças físicas, em ordem a uma nova fadiga, mas também à consolidação das motivações fundamentais da existência.»

«E é muito oportuno – prossegue –, mesmo até indispensável, que o repouso se concentre particularmente em dia de festa, para se celebrar comunitariamente a beleza da vida e para se experimentar em conjunto a proximidade benevolente de Deus.»

De acordo com Dom Geraldo Agnelo, quem «trabalha com amor, respeitando a dignidade de todas as pessoas, não só contribui para o progresso terreno, mas também para o crescimento do reino de Deus».

«Prolonga a obra do Criador e coopera na realização do desígnio da Providência na história, associando-se a Cristo redentor. Aproxima-se de Deus, fazendo sua a plenitude de sentido por Ele dada ao trabalho.»

Mas – adverte o arcebispo –, «para vivê-la consciente e coerentemente, necessita de formação adequada e de momentos de espiritualidade. Em especial, precisa do repouso e da festa, que é dom de Deus como o trabalho».

«O tempo deixado pelo trabalho produtivo é muitíssimo mais longo que outrora, com tendência para ainda crescer mais. De per si, é um fenômeno positivo. O tempo livre corresponde a uma necessidade profunda da pessoa e é uma realidade que tem em si mesma a sua própria finalidade e valor enquanto expressão de criatividade, convivência e espiritualidade.»

«Infelizmente – destaca o cardeal Agnelo –, a lógica da produção e do lucro invade também o tempo livre e sufoca a criatividade pessoal. Daí resultam tantas insatisfações e tensões, a ponto de já se notar a necessidade de libertar o tempo livre. É preciso uma sábia educação para o turismo, para o divertimento, para o esporte e para o uso dos meios de comunicação social.»

Segundo o arcebispo primaz, a espiritualidade da vida econômica caracteriza-se por estes valores: «sobriedade, disponibilidade, partilha dos bens, seriedade e competência no trabalho, solidariedade social, sensibilidade política, atenção às exigências da própria família».