Três dias de vigília de Pentecostes na capital do Brasil reúne meio milhão de fieis por noite

Entrevista com Ronaldo Silva, responsável pela comunidade Canção Nova na cidade de Brasília

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 856 visitas

É difícil imaginar que em alguma outra parte do planeta, a capital de um país possa reunir cerca de meio milhão de pessoas por noite, numa vigília de três dias antes da festa de Pentecostes. Pois assim é em Brasília, capital do Brasil.

Neste fim de semana, do 17 ao 19 de Maio, milhares de brasilienses lotam o Taguaparque, na cidade de Brasilia a fim de se prepararem para a festa de Pentecostes.

Segundo informou a polícia Militar (PM) a ZENIT nesse sábado, estima-se cerca de 300 mil a meio milhão de pessoas participando do evento a cada noite, durante esses três dias de vigília, ocupando um espaço médio de 200 000 metros quadrados. A estatística geral do evento, segundo informou a ZENIT, será confirmado nesse domingo; e, claro, sem contabilizar aquelas pessoas que participam por meio das diversas mídias: internet, TV, Rádio...

ZENIT teve a oportunidade de encontrar-se com Ronaldo da Silva, membro da Comunidade Canção Nova e responsável pela missão da sua comunidade na cidade.

Durante a nossa conversa Ronaldo falou da força do Espírito Santo na vida das novas realidades eclesiais, como é a Canção Nova e a comunidade que está sendo fundada pelo Pe. Moacir Anastácio, Renascidos em Pentecostes, comunidade que há 15 anos promove esta festa de Pentecostes na capital federal.

Publicamos a entrevista a seguir:

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ZENIT: Ronaldo, você é membro da comunidade Canção Nova. Poderia apresentar-se um pouco?

Ronaldo: Sou membro da comunidade Canção Nova há 17 anos. Uma comunidade muito conhecida, porém nem todos a conhecem ainda... e é pelo seu trabalho com os meios de comunicação, que já alcançou uma grande dimensão. Nossa missão é tornar o Evangelho acessível às pessoas estando dentro de casa, no seu trabalho, dentro do seu carro... nos diversos meios de comunicação.

ZENIT: O que é a Canção Nova dentro da Igreja?

Ronaldo: Nós somos aquelas que hoje a Igreja chama de “novas comunidades”, novo estilo que nasceu dentro da Igreja de uns anos para cá, que contempla todos os estados de vida. Por exemplo, na Canção Nova você encontra padres, jovens que querem viver o celibato, jovens solteiros que querem casar, casados... como eu, que sou casado e tenho 2 filhos. E essas novas comunidades são um novo lugar na Igreja, em que a pessoa, no estado de vida que escolher para si, pode ali dentro viver.

ZENIT: O que é que liga a Canção Nova com a comunidade Renascidos em Pentecostes, do Pe. Moacir Anastácio?

Ronaldo: Essas novas comunidades são todas muito parecidas. A origem delas é muito igual: a Renovação carismática católica. O que nos une à comunidade Renascidos em Pentecostes é o mesmo que nos une à comunidade católica Shalom,  à Obra de Maria, aos Focolarinos... que é o que? É um espírito rejuvenescido, essa alegria constante, um espírito novo, esse trabalho juvenil constante, esse estar inserido sempre num contexto evangelizador que atrai os jovens...  então, temos muito em comum: trabalho evangelizador forte com os jovens, um jeito de evangelizar parecido, renovados, por causa deste espírito novo que pertence aos jovens, e carismáticos pela origem, na Renovação Carismática Católica. Então nos sentimos muito atraídos e nos tornamos muito amigo sempre que nos conhecemos. E é isso que hoje nos une e nos faz estar aqui na Comunidade Renascidos em Pentecostes, é essa mesma raiz que temos.

ZENIT: Qual é a sua relação com o Pe. Moacir?

Ronaldo: Tenho uma relação de muita amizade com o padre Moacir. Sempre que posso vou à casa dele. Ligo e digo que estou chegando, agente almoça juntos, tratamos de alguns assuntos importantes sobre a evangelização... temos um contato bastante íntimo.

ZENIT: Como você definiria o Pe. Moacir Anastácio?

Ronaldo: Ele é um homem muito corajoso porque enfrentou ao longo de sua vida, sempre, obstáculos que lhe desafiavam. Desde sua origem muito humilde, de pouco estudo. Hoje ele é resultado de constantes superações que lhe foram exigidas. E por causa de tudo isso que foi vencendo tornou-se ousado porque viu que era capaz de seguir adiante e sempre colocando Deus em primeiro lugar, a sua fé em Deus é muito grande. Foi isso que o fez superar todas as limitações humanas que teve. Foi isso que o fez construir essa grande herança evangelizadora que eu vejo hoje, esse grande movimento que ele está mostrando para o Brasil e Brasília. Isso é uma herança evangelizadora muito grande. Então, é um homem empreendedor no Espírito Santo de Deus. Eu o definiria assim.

ZENIT: O Papa Francisco tem falado muito de “seguir em frente” nas suas homilias diárias na Casa Santa Marta. Como você entende esse seguir em frente?

Ronaldo: Você sabe que a festa de pentecostes foi o cume de uma promessa feita pelo Senhor, e os discípulos acreditaram nesta promessa. Eles perseveraram por 50 dias esperando o cumprimento de uma promessa.  Então, esse seguir adiante é o mesmo que dizer “perseverem”.  A característica da perseverança é seguir adiante sempre, apesar das turbulências, dificuldades, limitações que agente tem, desafios, das tentações, provações... perseverar sempre, esperar as promessas de Deus para nós. É o mesmo seguir em frente citado por Francisco nas homilias.

ZENIT: Seria possível replicar essa festa de Pentecostes que está acontecendo em Brasília em outros lugares do mundo?

Ronaldo: Eu não vejo que seja possível replicá-la porque foi uma promessa particular que Deus deu a este homem, ao Padre Moacir Anastácio. Enquanto ele for vivo, ela acontecerá desta forma. Porque deu a ele o carisma, a profecia e o dom de realiza-la assim. Quando ele não estiver mais, não sei como será. Mas, enquanto ele for vivo ela será assim. Será com ele. Porque ela é muito característica, é cheia de especificações próprias. Quanto ao que pode acontecer em outras partes eu vejo como inspirações diversas do Espírito. Ele pode inspirar algo semelhante, manifestações maiores ainda em outros lugares e com certeza o fará sempre. Mas, essa aqui, de fato, é muito particular e está voltada ao coração de um homem por quem Deus se agradou.