Três fontes da espiritualidade de Paulo

Segundo o cardeal do Rio de Janeiro

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Por Alexandre Ribeiro

RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 23 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal Eusébio Scheid considera que uma das maneiras de «estreitar a amizade» com Paulo é se aproximar dele por meio de «três grandes fontes» de sua espiritualidade: o encontro com Cristo, o próprio Cristo e as atitudes do apóstolo.

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, a primeira das fontes «brota do encontro de Paulo com Cristo, no caminho de Damasco. Lá ele lhe pergunta: “Quem és, Senhor?” e “Que queres que eu faça?”».

«Embora nunca se tenham encontrado, pessoalmente, o contacto de São Paulo com Cristo foi de uma profundidade incomparável. Para ele, Cristo tornou-se fonte das riquezas inesgotáveis, descritas em suas Cartas, e para as quais nos quer conduzir», afirma o cardeal, em artigo difundido ontem por sua arquidiocese.

Dom Eusébio explica que, antes de se tornar o precursor dos teólogos cristãos, Paulo havia se dedicado ao estudo das tradições de seu povo, tornando-se Rabi ou Raboni, isto é, doutor, dentro do judaísmo.

«Profundo conhecedor da moral judaica, São Paulo chegou à conclusão de que nenhum de nós pode observar a lei, pois ela nos recomenda o que deve ser feito, ou evitado, mas não nos dá a força para realizá-lo.»

«Aqui entra a novidade ensinada por Paulo: a lei, por si só, não tem grande valor. Ela vale pela caridade, que vai animá-la na sua prática, pois a graça acompanha cada ato bom que se faz», afirma o arcebispo.

De acordo com Dom Eusébio, a segunda fonte paulina «é o próprio Cristo»; «mas não o Cristo como proposta de fé, delineado pelas teses de Teologia».

«São Paulo nos apresenta o Cristo na sua autêntica maneira de se relacionar com a humanidade, a ponto de se tornar tão pobre e miserável quanto qualquer um de nós. Assumiu a nossa natureza que, embora estraçalhada pelos sofrimentos da Paixão, ressuscitou gloriosa e está unida à sua divindade para todo o sempre.»

O arcebispo explica que existe, ainda, uma terceira fonte: «são as atitudes que devem animar quem queira seguir os passos de Paulo».

«E adianto que não é fácil. Ele foi flagelado 5 vezes pelos judeus, 3 vezes pelos carrascos romanos, que eram ainda piores, naufragou 3 vezes, passou jejuns, esteve em torno de 8 anos preso (3 em Cesaréia, mais 3 na primeira fase em Roma, e mais 2, numa segunda fase).»

«Calculem tudo isso --prossegue o arcebispo--. Imaginem a solidão, o sofrimento, as privações de todo tipo. Ao contrário de abatê-lo, cada revés lhe aumentava o ardor e o zelo.»

Ao enfatizar que «ainda haveria muito a falar sobre Paulo», Dom Eusébio convida os fiéis a lerem as suas Cartas e praticarem os seus ensinamentos, «que nada mais são do que o eco das próprias palavras de Cristo».