Tribunal vaticano condena Claudio Sciarpelletti

Sobrinho do núncio de Washington é inocentado de acusação de cumplicidade

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Antonio Gaspari

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – Aceitando as denúncias do promotor de justiça Nicola Picardi, o tribunal do Vaticano condenou Claudio Sciarpelletti, técnico informático da Secretaria de Estado, a quatro meses de prisão por cumplicidade no desvio de documentos secretos do papa. A sentença foi reduzida a dois meses de prisão, considerando os "serviços prestados e a falta de antecedentes criminais".

Segundo o Tribunal do Vaticano, Sciarpelletti teria ajudado a "obstaculizar as investigações" que levaram à prisão e à condenação de Paolo Gabriele, ex-mordomo do papa, pelo "furto qualificado de documentos confidenciais".

Os magistrados concederam a suspensão da pena "por cinco anos" e a não menção da condenação nos registros judiciários, desde que Sciarpelletti “não cometa outros crimes”.

Sciapelletti havia sido preso após a descoberta, em uma gaveta de sua mesa, de um envelope com o carimbo do Gabinete de Informações da Secretaria de Estado e com a grafia de Paolo Gabriele.

O ministério público explicou que Sciarpelletti teria "obstruído a investigação" porque, ao ser detido, em 25 de maio, teria dado duas versões diferentes sobre quem tinha dado a ele o envelope com os documentos, encontrado em sua gaveta.

Sciarpelletti afirmou inicialmente que o envelope fora entregue por Paolo Gabriele. No dia seguinte, disse que tinha sido mons. Carlo Maria Polvani, diretor do Gabinete de Informações da Secretaria de Estado, para que o entregasse a Paolo Gabriele. Mons. Polvani é sobrinho de dom Carlo Maria Viganò, núncio apostólico em Washington, nos EUA.

Dom Viganò passou ao centro das atenções da mídia internacional por causa de uma carta confidencial enviada ao cardeal Secretário de Estado, em que reclamava de injustiças e de conspirações contra ele. A carta de Viganò foi veiculada em um programa de televisão, dando início à investigação vaticana sobre o roubo de documentos confidenciais.

Apoiado por quatro testemunhas de defesa, Sciarpelletti confirmou a sua dedicação à Santa Sé. Disse que não conhecia o conteúdo do envelope e que o esquecera na gaveta.

Sciarpelletti afirmou não se lembrar de quem lhe tinha dado o envelope, e, em clara contradição com as declarações feitas no momento da prisão, disse que não tinham sido nem Paolo Gabriele nem mons. Carlo Maria Polvani.

Por sua vez, mons. Polvani afirmou que o selo do envelope é facilmente acessível, já que fica à disposição em um corredor frequentado por muitas pessoas, inclusive pelo próprio Sciarpelletti. "Até onde eu sei, Sciarpelletti e Gabriele eram bons amigos", afirmou ainda.

Antes de entrar nos detalhes do caso, Polvani agradeceu ao tribunal do Vaticano, à polícia e aos seus superiores por não terem duvidado dele. "Afirmo solenemente que nunca peguei, transferi nem entreguei a terceiros quaisquer documentos que contivessem matéria de sigilo profissional. Para mim, são coisas totalmente impensáveis. Juro pelo meu batismo e pelo meu sacerdócio".

A pedido dos magistrados, Paolo Gabriele isentou formalmente mons. Polvani de culpa e afirmou que foi ele próprio quem entregou a Sciarpelletti os documentos contidos no envelope.

Após o julgamento, o assessor de imprensa do Vaticano, pe. Federico Lombardi, comentou que "o judiciário informa que a investigação não está encerrada. Depende agora dos investigadores. É claro que a história não acabou".

Sobre a eventual demissão de Sciarpelletti, Lombardi afirmou: "Não creio [que ele seja demitido]. Primeiro temos que ver se a defesa vai recorrer, mas eu penso que a intenção é não agravar as consequências".

(Trad.ZENIT)