Tudo pronto para o Conclave: fim das Congregações Gerais do Colégio Cardinalício

Amanhã "Missa Pro eligendo Romano Pontifice" e entrada na Capela Sistina

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 1134 visitas

Terminou oficialmente hoje a preparação para o evento que está gerando grande expectativa entre os fiéis e mais ainda entre os meios de comunicação de todo o mundo: o Conclave. O Colégio dos Cardeais finalizou os trabalhos das Congregações Gerais que começaram na segunda-feira passada. Foi um período de diálogo e partilha entre os cardeais em vista da eleição do novo Pastor da Igreja.

A última Congregação Geral - a décima- teve lugar hoje pela manhã na Sala do Sínodo e contou com a participação de 152 cardeais, incluindo eleitores e não-eleitores. Durante a reunião - disse Pe. Lombardi no briefing com os jornalistas - foram sorteados 3 novos membros para a Congregação Particular que continuam na função durante o Conclave, já que a comissão muda a cada três dias. Motivo pelo qual é sempre formada apenas por cardeais eleitores.

Os três sorteados que acompanharão o Camerlengo Bertone são: cardeal Naguib, para a Ordem dos Bispos; Ouellet, para os sacerdotes e Monterisi para os diáconos. A função deles, de acordo com a Constituição Apostólica, é "cuidar de questões menos importantes, em sua maioria, organizativas e logísticas", explicou Pe. Lombardi. Caso o Conclave dure mais de três dias, é necessário sortear outros três.

Sendo a última Congregação Geral, antes do Conclave vários pronunciamentos foram feitos pelos cardeais. Cerca de 28 purpurados fizeram saltar para 161 o número de pronunciamentos realizados desde a segunda-feira passada até hoje.

"Houve uma ampla participação", disse Lombardi, e parecia que "outros cardeais ainda gostariam de falar”, mas a maioria do Colégio votou por "não prosseguir à tarde com outra Congregação”.

A questão de prosseguir foi imediatamente submetida a votação pelo cardeal decano Angelo Sodano, que, disse Pe. Lombardi, com um "admirável exemplo de prudência", buscou satisfazer as expectativas dos que solicitaram a palavra. “Mais de cem cardeais", no entanto, preferiram finalizar os trabalhos pela manhã.

Ao final, "alguns desistiram de falar, pensando que, de fato, as intervenções não seriam tão necessárias”. Todos tiveram a oportunidade de falar, na verdade, “aqueles que queriam falar, tiveram a oportunidade de fazê-lo até o fim”. Várias intervenções "foram em agradecimento pela atmosfera de partilha e o clima sereno destes dias”, destacou Pe. Lombardi.

Entre os temas discutidos hoje, além daqueles "recorrentes" como "o perfil e as expectativas sobre o novo Papa”, também foi tocado o argumento econômico e o Instituto para as Obras de Religião (IOR). "Candidato natural para informar sobre esta questão" foi o cardeal Bertone, Presidente da Comissão Cardinalícia de Supervisão, que apresentou um relatório "conciso" sobre a natureza do instituto e o processo de inclusão no sistema internacional de controles Moneyval.

Sobre a razão dessa conversa sobre o IOR somente na última Congregação, o porta-voz disse que "não é um ponto central para os critérios de eleição do Papa ou para a partilha entre os cardeais em preparação para o Conclave”. Foi dada prioridade a questões relativas à eleição do novo Pontífice.

À tarde, teve lugar na Capela Paulina, o Juramento das pessoas que irão trabalhar para o Conclave. Cerca de 90 funcionários para ajudar os cardeais durante a votação, que incluem: o mestre de cerimônias pontifícias, os cerimonialistas, religiosos para serviços de sacristia, médicos, enfermeiros, sacerdotes confessores, pessoal do serviço de limpeza e cozinha para servir na Domus Santa Marta, alguns motoristas de ônibus, seguranças da Guarda Suíça e da Gendarmerie.

Quanto à Missa Pro Eligendo Romano Pontífice, a ser realizada amanhã, às 10 horas, na Basílica do Vaticano, Pe. Federico Lombardi informou que o livro da Liturgia já foi impresso e está disponível on-line no site vatican.va.

A Missa em latim será presidida pelo Cardeal Sodano e a homilia em italiano, e concelebrada por todos os cardeais, não apenas os eleitores. É aberta a todos os fiéis. Será uma missa a ser “seguida com devoção" e "não deve durar mais de duas horas", afirmou Pe. Lombardi.

Amanhã à tarde, um dos momentos mais esperados, a entrada para o Conclave. Haverá uma procissão dos cardeais eleitores que, saindo da Capela Paulina irão entrar na Capela Sistina, e ali se “fecharão” até que, da sacada de São Pedro, o novo Papa irá saudar o mundo.