Turismo: Uma atividade que pode conduzir a Deus

Congresso em Cancun promovido pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes

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Por Luca Marcolivio

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24  de abril de 2012(ZENIT.org) – Por ocasião do VII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo, iniciado nesta segunda-feira, 23 de abril, o papa Bento XVI assinalou com vigor o tráfico de órgãos e o turismo sexual.

O Congresso é promovido pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, ao cujo presidente, o cardeal Antonio Maria Vegliò, Bento XVI enviou uma mensagem especial.

O turismo, escreve o Papa, é um fenômeno carregado de “perspectivas de crescimento” e, como toda a realidade humana, “deve ser iluminado e transformado pela Palavra de Deus”. Neste propósito a Igreja exprime sua “solicitude pastoral”, promovendo as potencialidades desta atividade econômica e humana, e assinalando “os seus riscos e desvios”, empenhando-se por “corrigi-los”.

O turismo é uma prática que, entre outras coisas, favorece “um espaço privilegiado para o restabelecimento físico e espiritual, facilita o encontro entre pessoas de culturas diversas e torna-se ocasião de contato com a natureza, favorecendo assim a escuta e a contemplação, a tolerância e a paz, o diálogo e a harmonia no meio da diversidade”, acrescentou o Papa.

Viajando, o homem tem a possibilidade de “admirar a beleza das nações, das culturas e da natureza”, em um percurso que “pode conduzir-nos a Deus”.

O turismo, todavia, “não está isento de perigos nem de elementos negativos”, que frequentemente “lesam os direitos e a dignidade de milhões de homens e mulheres, especialmente dos pobres, menores e deficientes”.

Sobre isto Bento XVI  sinalizou particularmente o turismo sexual, definido como “uma das formas mais abjectas destes desvios que devastam do ponto de vista moral, psicológico e clínico, a vida das pessoas, de muitas famílias e às vezes de comunidades inteiras”.

O tráfico de seres humanos “por motivos sexuais ou para transplante de órgãos, bem como a exploração de menores, o seu abandono em mãos de pessoas sem escrúpulos, o abuso, a tortura verificam-se, infelizmente, em muitos contextos turísticos”, constatou Bento XVI. Aqueles que atuam no setor turístico , por motivo de trabalho ou pastoral, devem “aumentar a vigilância para prevenir e contrastar estas aberrações”.

Referindo-se à Caritas in Veritate  que exorta a um turismo «capaz de promover verdadeiro conhecimento recíproco, sem tirar espaço ao repouso e ao são divertimento» (n. 61), o Papa espera que o Congresso de Cancun contribua para “desenvolver uma pastoral que nos conduza gradualmente a este «turismo diverso»”.

É preciso desenvolver um turismo “ético e responsável”, além de “acessível a todos, justo, sustentável e ecológico”. Onde o tempo livre e as férias sejam “uma oportunidade e também um direito”. A Igreja se empenha para que este “direito” possa concretizar-se especialmente “para os grupos mais desfavorecidos”.

Outro aspecto do turismo que não deve ser esquecido, segundo o Santo Padre, é a via  via pulchritudinis, o «caminho da beleza»  através de “obras que nascem da fé e que expressam a fé» Audiência Geral, 31/VIII/2011.

As visitas turísticas devem se organizar com “respeito devido ao lugar sagrado e à função litúrgica que foi, e continua a ser, o destino principal para que nasceram muitas destas obras”.

Em terceiro lugar, o Papa espera que a pastoral do turismo acompanhe “os cristãos no gozo das suas férias e tempo livre a fim de que seja proveitoso para o seu crescimento humano e espiritual”. O fenômeno do turismo hoje é capaz de oferecer ocasião para “apresentar Cristo como resposta suprema às questões do homem atual”.

Na conclusão de sua mensagem por ocasião do Congresso de Cancun, Bento XVI exortou “a fim de que a pastoral do turismo faça parte, de pleno direito, da pastoral orgânica e ordinária da Igreja, de modo que, coordenando os projectos e os esforços, correspondamos com maior fidelidade ao mandato missionário do Senhor”.

(Tradução:MEM)