Ucrânia: o arcebispo maior de Kiev visita o Papa em plena crise da Crimeia

O Kremlin anuncia que esta república autônoma já forma parte da Federação Russa

Roma, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 326 visitas

O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (17) o arcebispo maior de Kiev-Halyc (Kiev), Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk. Durante a audiência privada, o primaz da Igreja greco-católica ucraniana agradeceu ao Santo Padre por seu apoio e orações por ocasião dos protestos nos últimos meses nesta república da Europa Oriental. E é que quando as manifestações pacíficas se tornaram violentas, o Papa argentino lançou repetidos apelos para a paz e o diálogo.

Enquanto isso, a Igreja greco-católica sempre esteve junto dos manifestantes e procurou tratar dos feridos.

A situação no país continua fervendo. Em plena crise, o arcebispo Shevchuk não deixou de pedir a todas as partes implicadas, também a Rússia, que respeite a integridade territorial da Ucrânia.

Além disso, sua Beatitude denunciou que homens armados ameaçaram sacerdotes greco-católicos para que abandonem a Crimeia. Apesar do clima de tensão, os sacerdotes continuam ali e se negam a deixar as suas paróquias.

Conforme anunciado pelo Kremlin nesta terça-feira, minutos depois do presidente Vladimir Putin assinar o acordo de anexação com as novas autoridades da península, Crimeia agora faz parte da Federação Russa .

O Parlamento desta província, em uma sessão extraordinária de portas fechadas, votou na segunda-feira uma declaração de independência efetiva neste mesmo dia e autorizou o primeiro-ministro, Serguei Axionov, e o chefe do legislativo, Vladimir Konstantinov, a acudir a Moscou e assinar o tratado bilateral com a Rússia.

Com base no resultado oficial do referendo sobre a independência do domingo passado, e apesar das sanções internacionais, em Moscou o presidente Vladimir Putin emitiu um decreto reconhecendo a Criméia como um Estado soberano. O texto assinado segunda-feira pelo presidente russo, que entrou imediatamente em vigor, inclui um reconhecimento para o “Status autônomo especial” de Sebastopol, a cidade criméia onde a Rússia tem estacionada a sua frota do Mar Negro.

De acordo com o direito internacional, Criméia é uma república autônoma da Ucrânia e a consulta do domingo somente é reconhecida pela Rússia. Fruto das turbulências provocadas pelos protestos de Kiev, o referendum foi preparado no prazo recorde de dez dias e realizado em ambiente militarizado e especialmente controlado pelos soldados russos.