Ucrânia: patriarca greco-católico pede liberdade religiosa

Sviatoslav Shevchuk: "A Igreja não faz política, mas também não pode ficar de braços cruzados"

Roma, (Zenit.org) Don Mariusz Frukacz | 387 visitas

"A pregação da paz é particularmente necessária quando existe uma possível ameaça contra a paz", respondeu o chefe da Igreja greco-católica da Ucrânia, Sviatoslav Shevchuk, diante das ameaças do governo de Kiev de privar de status jurídico as autoridades das organizações religiosas da Igreja greco-católica ucraniana.

Durante entrevista coletiva concedida neste dia 13 de janeiro, dom Shevchuk afirmou que "as pessoas nas ruas se voltaram para a Igreja greco-católica ucraniana e para as outras igrejas pedindo apoio e oração comum".

“De fato, neste momento de falta de diálogo entre o governo e os cidadãos que acreditam em Deus, sente-se particular necessidade de fortalecer a oração pela paz e pela tranquilidade do nosso país, pelo fim da violência e por um basta aos ataques contra a dignidade e os direitos constitucionais dos cidadãos ucranianos”, prosseguiu Shevchuk.

O patriarca greco-católico ucraniano enfatizou que "a atitude dos sacerdotes é uma realização das ideias que o papa Francisco apresentou em seu último documento, a exortação apostólica Evangelii Gaudium. Os pastores precisam estar no meio das pessoas, porque ‘um pastor deve ter cheiro de ovelha’”.

Shevchuk salientou que, pela primeira vez desde a independência da Ucrânia, houve expressa ameaça contra as organizações religiosas, feita em uma carta oficial enviada ao Ministério da Cultura da Ucrânia e assinada pelo vice primeiro-ministro, Timofiy Kokhan.

O chefe da Igreja greco-católica na Ucrânia declarou que "a Igreja não faz parte do processo político estrito, mas não pode ficar de braços cruzados quando os seus fiéis pedem ajuda espiritual". Estar com os fiéis é dever de todo sacerdote. Este dever está ligado à missão da Igreja, afirmou o patriarca.

"A nossa igreja tem sido sempre fiel a essa missão que Cristo nos confiou e assim permanecerá, apesar das ameaças. A Igreja se reserva o direito de avaliar a situação no país, de avaliar se há violação dos direitos humanos e dos princípios da moralidade pública, que fluem da lei de Deus e que se refletem na doutrina social da Igreja", disse ele em comunicado oficial, concluindo: “A única maneira de resolver a crise sócio-política na Ucrânia é o diálogo honesto e aberto entre todas as partes. O ponto de partida é a vontade das autoridades de ouvir o seu povo”.

No domingo, 12 de janeiro, durante a oração ecumênica em Kiev, o bispo auxiliar de Kijowsko-Żytomierz e administrador apostólico da diocese, Luck Stanislaw Szyrokoradiuk, pediu “respeito pela dignidade dos cristãos na Ucrânia”.

O bispo, como relatado pela KAI (Agência Católica de Informação na Polônia), ressaltou ainda "a necessidade da presença do clero entre os manifestantes". A Igreja não pode permanecer em silêncio, olhando para as injustiças sociais, disse Szyrokoradiuk.

Desde o dia 21 de novembro de 2013, acontecem manifestações antigovernamentais em Kiev. A Praça da Independência tornou-se o lugar central em que os cidadãos da Ucrânia se manifestam para reivindicar os direitos e a dignidade das pessoas.