Um "frei burro" com profunda sabedoria teológica

Memória litúrgica de São José de Cupertino, padroeiro dos estudantes

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Peter Barbini

ROMA, terça-feira, 18 de setembro, 2012 (ZENIT.org) - Em 2003, foi celebrado o IV centenário do nascimento de São José de Cupertino, santo que a Igreja celebra hoje a memória litúrgica.Neste santo "brilha a sabedoria das crianças e o espírito das bem-aventuranças", que indica "a estrada que leva a autêntica alegria, mesmo em meio às dificuldades e tribulações", "uma alegria que vem do alto, e nasce do amor a Deus e ao próximo "estas foram as palavras proferidas na ocasião pelo Beato João Paulo II. Não existem palavras mais adequadas para descrever a vida do santo pugliese que ainda hoje contagia com seu amor quem se aproxima.

Nascido em uma família de origem humilde, em 17 de junho de 1603, Giuseppe Desa - este é o nome jurídico - aos 25 anos foi ordenado sacerdote e admitido na Ordem dos Frades Menores Conventuais da região da Puglia, Itália.

Amor, simplicidade, humildade e sacrifício distinguiram a vida deste frei que passava os dias em orações incessantes e longas meditações. Em qualquer tarefa que realizava seus olhos estavam sempre no céu e qualquer ação sua era realizada para consecução das virtudes celestiais.

São José de Cupertino é muito conhecido pelos frequentes momentos de êxtase que o levava a sair do chão, permanecendo assim por um longo tempo; por isso foi acusado de messianismo e submetido ao tribunal da Inquisição, que o considerou inocente, mas por prudência por parte de seus superiores, ele foi afastado de sua Ordem por cerca de 20 anos e transferido primeiramente para Assis, em seguida, para o Convento dos Capuchinhos de Pietrarubbia e, finalmente, para Fossombrone. Somente em 1657 pode retornar para sua Ordem, vivendo serenamente os últimos anos de sua vida no convento de Osimo, onde morreu e onde ainda é preservado o seu corpo num caixão.

São José de Cupertino teve uma vida simples, mas não fácil, e até mesmo o hábito, como dizem, foi conquistado com grande dificuldade. Tornar-se sacerdote, como ainda hoje, exigia uma educação adequada que, o futuro santo absolutamente não tinha (os hagiógrafos dizem que ele realmente não era muito adepto ao estudo), em parte, por causa de uma doença que o obrigou a abandonar os estudos, quando havia apenas começado, com sete anos. A sua recuperação, aos 15 anos de idade, foi atribuída a Nossa Senhora das Graças de Galatone, de quem ele permaneceu devoto por toda a vida. Foi durante esse tempo que no coração de José ficou marcado o desejo de consagrar sua vida a Cristo, servindo como padre franciscano.

A falta de instrução, no entanto, não intimidou o jovem José em responder ao "chamado" de Deus, e com muita humildade, compromisso e horas exaustivas de estudo, ajudado por seu tio, também ele um frade franciscano e conhecido teólogo na época, foi aprovado com êxito em todas as provas, graças à intercessão milagrosa da Virgem Maria, a quem José rezava assiduamente. Conta-se, de fato, que, antes de fazer o exame para se tornar diácono, Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho, entregando-o uma passagem da Sagrada Escritura sobre a qual foi interrogado.

A história mais conhecida, no entanto, relata como José foi capaz de passar o último exame, antes de ser ordenado sacerdote, mesmo sem ser interrogado, uma vez que o Bispo decidiu promover todos os candidatos depois de constatar a boa preparação dos primeiros estudantes.  Foi providencial, já que todos sabiam o programa perfeitamente, exceto José. Por estes e muitos outros motivos em 1753, ano da sua beatificação, os estudantes católicos o escolheu como santo padroeiro.

É interessante notar que, apesar de São José de Cupertino nunca ter sido um homem de cultura, ele costumava ser chamado de "frei burro", no decorrer de sua vida, ele se confrontava frequentemente com brilhantes teólogos, professores e intelectuais que ficavam impressionados com as respostas deste frade, tão simples, mas que possuía em si um profunda sabedoria teológica de eficácia incomparável. Não por acaso muitos o escolheram como mestre espiritual: príncipes, nobres, reis, sacerdotes, cardeais, bispos e até papas, como Urbano VIII e Inocêncio X.

"São José de Cupertino encoraja o mundo da cultura, especialmente a escola, a fundar o conhecimento humano sobre a sabedoria de Deus", disse João Paulo II, recordando, com estas palavras, que este amor para com Deus e a a busca contínua pelo divino, levaram o humilde frei "analfabeto" a compor poemas, "parábolas" e canções, como o famoso Cântico do Bem, que até mesmo ele nunca teria sonhado em escrever.

São José de Cupertino, na essência, é a prova de que para Deus nada é impossível. Um exemplo de como o Senhor pode fazer coisas consideradas humanamente impossíveis e impensáveis. Prova de que, se alguém faz a vontade de Deus e confia totalmente nEle, não terá nada a temer e que o Senhor lhe dará forças para enfrentar qualquer tipo de "negócio".

(Trad.MEM)