Um missionário católico foi o descobridor da nascente do Rio Nilo

O jesuíta espanhol Pedro Páez a descobriu dois séculos antes dos britânicos Richard Francis Burton e John Hanning Speke

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Marco Tosatti

ROMA, segunda-feira, 14 de maio de 2012 (ZENIT.org) - Richard Francis Burton e John Hanning Speke entraram para a história como os descobridores das nascentes do Rio Nilo, em 1858, no Lago Vitória. Mas, na realidade, foi um jesuíta espanhol, o padre Pedro Páez, quem descobriu, dois séculos antes, qual era a nascente principal de um dos maiores rios do mundo, aquele que, na Fonte dos Quatro Rios da Piazza Navona, é representado cobrindo a face.

A "reivindicação" é de um escritor espanhol, Fernando Paz, em seu livro "Antes de Todos". Paz dedica um capítulo ao heroísmo do jesuíta de Madri, que antecipou em dois séculos a revelação de um dos grandes mistérios da história. Burton e Speke, na verdade, descobriram a origem do Nilo Branco, no ponto mais distante da foz, no Lago Vitória. Mas o que importa no caso de um rio é o fluxo de água, e é o Nilo Azul que “transporta” 80% das águas do rio, até Omdurman. São estas as águas que Páez encontrou.

O jesuíta nasceu em 1654 em Olmeda de la Cebolla, estudou em Coimbra, tornou-se sacerdote em Goa e começou uma viagem para chegar à costa da Somália. A odisseia o levou a enfrentar todos os tipos de aventuras: malária, piratas, captura pelos turcos, tortura, prisão, até ser vendido como escravo para o sultão do Iêmen.

Depois de atravessar descalço o deserto, comendo gafanhotos, Páez descreveu áreas como Habramaut e Rub Al-Khali, de cuja descoberta, dois séculos mais tarde, outros europeus levaram o crédito.

Em 1603 ele decidiu evangelizar a Etiópia, mudou de nome para Abdullah e partiu para aquele país. Permaneceu vinte anos na Abissínia, e, acompanhando o rei em uma cavalgada, descobriu as fontes do Nilo. Era 21 de abril de 1618. "Confesso que exultei ao ver o que desejaram ver o rei Ciro e seu filho Cambises, ou Alexandre, o Grande, e o famoso Júlio César", escreveu ele em sua "História da Etiópia", em 1620, obra em que aborda a sua descoberta com desapego. Seu interesse, afinal de contas, era apenas batizar.