"Um mundo sem Deus é desumano"

Encontro de Rímini: cardeal Tauran, ministro italiano Terzi e presidente da Assembleia Geral da ONU, Al-Nasser, debatem sobre liberdade religiosa

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Lucas Marcolivio

RÍMINI, Itália, quarta-feira, 29 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - A liberdade religiosa é o alfa e o ômega de todas as liberdades. Muitas foram as reuniões, iniciativas e debates sobre esta questão no Encontro de Rímini, e a conferência Política Internacional e Liberdade Religiosa, na última sexta-feira, foi uma espécie de síntese do tema.

O encontro, moderado pelo presidente do Centro Internacional da Comunhão e Libertação, Roberto Fontolan, contou com a presença de figuras importantes do mundo religioso, político e diplomático: o presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Adulaziz al-Nasser, o ministro italiano de Assuntos Exteriores, Giulio Terzi di Sant'Agata, e o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, cardeal Jean Louis Tauran.

Al-Nasser expressou preocupação com as violações da liberdade religiosa em todo o mundo, cada vez mais numerosas. "Essas questões continuam a nos preocupar", disse o presidente da Assembleia Geral da ONU, confirmando o compromisso das Nações Unidas nesta área.

Entre as iniciativas da ONU, Al-Nasser anunciou o documentário Além do Bem e do Mal, sobre o perdão. “A humanidade”, acrescentou, “tem que construir pontes fortes o suficiente para suportar o choque das diferenças”. As diferenças, de acordo com Al-Nasser, são um valor que mais se protege quanto mais se é consciente dos seus benefícios, que fazem crescer os frutos da globalização.

O ministro italiano de Assuntos Exteriores, Giulio Terzi di Sant'Agata, enfatizou a vontade do governo italiano de dialogar com todos os povos do Mediterrâneo, tanto econômica quanto culturalmente. Deste ponto de vista, o ministro ressaltou o aumento de 20% no comércio entre a Itália e os países do norte africano e do Oriente Médio. Terzi destacou que a Itália cumpre todos os requisitos para a proteção das minorias religiosas, especialmente das minorias cristãs. “É oportuno, para este fim, realizar um trabalho educativo que sensibilize os jovens sobre a existência de situações de guerra e de martírio”, opina o político.

"A religião foi marginalizada durante muito tempo na Europa. Os eventos relacionados com a liberdade religiosa eram considerados inconvenientes. Mas a política deve abranger os valores fundamentais, como a liberdade religiosa e os direitos humanos".

Citando Bento XVI, o ministro também afirmou que "limitar a liberdade religiosa é cultivar uma visão redutiva da pessoa humana".

O cardeal Tauran observou que hoje se fala muito de liberdade religiosa precisamente porque ela é um dos princípios mais constantemente violados. O cardeal francês citou, a este propósito, o recente caso da menina com síndrome de Down condenada à morte no Paquistão por suposta blasfêmia.

“Até1945”, disse Tauran, “a questão da liberdade religiosa era gerida dentro de cada país, mas os horrores da Segunda Guerra Mundial fizeram destacar a necessidade do acordo sobre quais são os direitos humanos internacionalmente".

A liberdade religiosa, de acordo com o cardeal, "se baseia na própria natureza do homem, criada por Deus". Portanto, o Estado "não deve interferir na vida religiosa, pelo menos até que sejam violados os direitos dos outros". O Estado deve "reconhecer que o homem é religioso por natureza, pois a religião é uma parte integrante da sociedade", e que "um mundo sem Deus seria um mundo desumano".

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso declarou como conclusão: "O homem é grande quando faz da sua vida uma resposta ao amor de Deus". E, citando Charles Péguy, exortou: "Deixemos aberta a porta da esperança e do amor. Deus nos construiu como esperança".

Sintetizando as contribuições dos três expoentes, o moderador Roberto Fontolan fechou a reunião descrevendo o caminho para a liberdade religiosa como "ainda longo". Nesse trajeto, cada pessoa deve "fazer a sua parte, sem esperar uma ação de cima, mas servindo-se de um eu plenamente humano".

(Tradução:ZENIT)