Um papa que surpreende

Com o passar do tempo, o papa Francisco está pondo os pingos nos is, e nos jotas também.

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 1087 visitas

Quando o papa Francisco assumiu o sólio de são Pedro, um ano atrás, houve reações de todo tipo. Alguns reclamavam uma postura mais rígida. Temiam um “abrandamento” da doutrina. De outra banda, muita gente festejava; até augurava-se pelo retorno da teologia da libertação.

Com o passar do tempo, o papa foi pondo os pingos nos is, e nos jotas também. A despeito de seu estilo simples e direto, um tanto quanto pragmático, Francisco tem provado e comprovado que o essencial não muda. Desta feita, a Igreja católica nunca será conivente com o aborto, com a eutanásia, com o sexo fora do casamento, com as pílulas anticoncepcionais, com o assim chamado casamento homossexual, com as ideologias de cunho marxista, algumas até homiziadas teologicamente. Se tal ocorresse, a Igreja não pertenceria mais a Cristo e perderia o elã dela. Tornar-se-ia apenas uma instituição “politicamente correta”, como tantas outras que pululam por aí e não agregam absolutamente nada na melhoria da qualidade de vida do povo, do ponto de vista material e espiritual. Apenas enaltecem o hedonismo e ajudam a infantilizar o ser humano, transformando-o numa presa fácil dos poderosos.

Na sua exortação Evangelii Gaudium, o papa Francisco discorre acerca de vários problemas. Esconjura a miséria anti-humana, porém ao lume da Doutrina Social da Igreja. Exorta os eclesiásticos a que experimentem uma vida simples, consentânea com a pobreza evangélica. Enfim, este documento do papa visa a organizar a ação da Igreja-instituição, bem como o comportamento dos leigos na sua trajetória individual ou associativa. Francisco ensina os padres a prepararem os sermões, porque, diz o papa, “são muitas as reclamações relacionadas a este ministério importante” (n. 135). O papa argentino igualmente admoesta os leigos a viverem sua verdadeira vocação, que não se junge às atividades intra-eclesiais, mas, muito pelo contrário, realiza-se corretamente na família, no mundo do trabalho, da política, da economia etc.

Creio que Francisco ainda surpreenderá bastante, não em virtude de colocar na berlinda pontos imutáveis do ensino cristão, o que, diga-se de passagem, ele jamais fez, mas pela sua metodologia diferente, peculiar, desprovida de formalismos, que vai direto ao ponto.    

Longa vida ao papa Francisco!