Um pouco do Pontificado de Bento XVI (Parte II)

Os Discursos mais importantes de Bento XVI

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 1358 visitas

Podemos dizer que todos os discursos do Santo Padre são importantes, pois, mesmo quando fala apenas como grande teólogo merece muita atenção do povo de Deus pela riqueza espiritual do que ele diz.

Acreditamos, porém, que será útil notar, como, aliás, fazemos em nosso livro “Papa Bento XVI: aspectos polêmicos de seu pontificado”, a sair em abril, que Joseph Ratzinger foi muito criticado por alguns veículos de comunicação que se encarregavam de distorcer e transmitir distorcidamente as suas falas. Lembramos, em especial, de um caso, ocorrido com a Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis”. Nela, o Santo Padre disse, em italiano, que o divórcio é uma “piaga” na vida da sociedade. Ora, órgãos de imprensa se apressaram em dizer, estupidamente, que o Papa se referiu ao divórcio como uma “praga” na vida social.

Desmentimos isso por meio da revista Refletindo, e agora pelo livro, explicando que ao referir-se ao divórcio, o n. 29 do Documento, no original italiano, usa o termo piaga que, em português, se traduz por CHAGA e não praga que seria, no italiano, peste. Aliás, quem observa um bom dicionário de Latim encontra o substantivo feminino Plaga, AL com sentido de “golpe, pancada que fere, ferida, CHAGA” que, provavelmente, deu origem ao termo piaga no italiano (Dicionário Latino-Português. 7ª ed. José Cretella Junior e Geraldo de Ulhôa Cintra, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1956).

Outros discursos de Bento XVI que também causaram polêmicas foram especialmente três, o que é bastante para cerca de oito anos de Pontificado: o primeiro foi o proferido no Campo de Concentração de Auschiwitz de em que ele repete a angustiada pergunta do povo: Onde estava Deus? – Ora, retirando o texto do contexto, acusaram o Santo Padre de ter blasfemado, pois parecia duvidar do Pai celeste.

Na verdade, o Papa repetiu o grito do povo, reproduzido por escritores diversos, para responder-lhe que não cabe a nós julgarmos a Deus, em momento algum, mas, ao contrário, nesse grito ao Senhor devemos olhar para nós mesmos a fim de tentarmos entender também a nossa responsabilidade frente aos trágicos acontecimentos da história.

A aula-magna em Regensburg foi outro motivo de ataques ao Romano Pontífice. Disseram que, ao citar um diálogo de Miguel II, o Paleólogo, com um erudito persa, Bento XVI estava desrespeitando o Islamismo e Maomé, o seu profeta. Teve o Santo Padre que explicar, em nota posterior, que ele fez apenas uma citação ilustrativa sem se comprometer com a ideia do autor citado. Os ânimos se serenaram e pouco depois, o Papa esteve na Mesquita de Istambul, na Turquia onde entrou descalço, não por relativismo religioso, mas, sim, por respeito à cultura religiosa islâmica.

Em 2007, o Papa deveria proferir também uma palestra (aula-magna) na Universidade de La Sapienza, na Itália, mas a cancelou devido a protestos de um pequeno grupo de alunos e professores contrários a todos os que pensam diferentemente deles.

A razão alegada era de que o Santo Padre tinha criticado Galileu quando cardeal-presidente da Congregação para a Doutrina da Fé. Isso era outra distorção: quem criticou Galileu não fora Ratzinger, mas, sim, o filósofo da ciência Paul Feyerabend, apenas citado pelo então cardeal. Os contestatários, professores e alunos, de La Sapienza nem sabiam o que diziam sobre Galileu Galilei, mas estavam convictos de que o Papa não poderia visitar uma universidade laica, embora tenha sido fundada pelo Papa Bonifácio VIII, em 1303. É a democracia desses radicais dos nossos dias.

Em aspecto positivo, lembramo-nos de suas verdadeiras aulas nas audiências gerais das quartas-feiras, discursos e homilias que constituem ricos mananciais de teologia e espiritualidade. Todas foram importantes e certamente estão sendo reunidas para serem publicadas em livros que devemos ler com atenção, ainda que a própria Librerie Editrice Vaticana disponibilize esses textos em português no site da Santa Sé, em ordem seqüencial, e Zenit também os tenha reproduzido, ao menos em boa parte.

Continuaremos amanhã...

Vanderlei de Lima cursou Filosofia e Iniciação Teológica pela Escola Mater Ecclesiae, no Rio de Janeiro. É formado em Filosofia pela PUC-Campinas, e pós-graduado em Psicopedagogia no processo ensino-aprendizagem pelo Centro Universitário Amparense-UNIFIA.