Um pouco do Pontificado de Bento XVI (Parte III)

Joseph Ratzinger e a pedofilia na Igreja

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 1245 visitas

Bento XVI foi, mais de uma vez, acusado de cumplicidade nos casos de pedofilia dos clérigos e religiosos que abusaram de seus fiéis e chegou até a ser ameaçado de processo judicial por um advogado norte-americano sensacionalista. O fato caiu no vazio por falta de provas.

A respeito, gostaria de notar duas coisas: 1) o jornalista Leandro Sarmatz, após estudar bem o tema “pedofilia”, declara: “Nos Estados Unidos, cerca de 80% dos casos de abuso sexual de crianças ocorrem na intimidade do lar: pais, tios e padrastos são os principais agressores. O noticiário da TV alardeia o escândalo dos padres pedófilos [...], mas o grosso dos casos acontece mesmo dentro da casa”. Para ilustrar o que disse, Sarmatz cita o caso escabroso de uma menina de 13 anos abusada pelo avô. “Detalhe: suspeita-se que o avô, na verdade seja pai da menina, pois anteriormente ele mantivera relações sexuais com a mãe dela e filha dele” (Superinteressante, maio de 2002, p. 40); 2) os tão alardeados casos de pedofilia cometidos por padres nos Estados Unidos somados em várias décadas não passavam de 0,3% dos religiosos.

Na Irlanda, os padres pedófilos somam 43 em 49 anos, número insignificante (deveria ser quase nulo), embora causem alarde por serem os sacerdotes ministros de Deus e grandes responsáveis pela defesa da inocência das crianças. Tais ocorrências, devidamente comprovadas, não podem ser toleradas nem pela Igreja e nem pelo Estado.

A ocorrência de casos de pedofilia na Igreja é, portanto, real, pois, embora santa, a mãe-Igreja traz em seu seio filhos pecadores ou mesmo doentes mentais. Todavia, a solução para esses casos está na espiritualidade retamente vivenciada, na formação séria do dever assumido e na punição dos errantes, não no matrimônio do clero – até porque, como já foi visto, a vida sexual ativa não impede a prática da pedofilia. A imensa maioria dos casos ocorre nos lares.

Voltando, porém, à Ratzinger, vemos que os casos foram enfrentados, de modo sereno, mas destemido, seja enquanto ele era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, seja na condição de Papa, sucessor de Pedro. Afrontou os casos mais dolorosos e os resolveu, convocou à tolerância zero com os pedófilos, encontrou-se com vítimas de clérigos pedófilos em Malta, em 2010, e jamais deixou de tratar com severidade tal comportamento a ponto de ser elogiado pela revista Veja, de 22 de fevereiro último.

Vê-se que Joseph Ratzinger pode, a justo título, ser considerado um grande batalhador na defesa da fé e da moral católica, moral que, evidentemente, condena e combate a pedofilia e, por isso ele a seguiu à risca fazendo, como pôde, uma verdadeira faxina entre os poucos clérigos e religiosos pedófilos que mancham a maioria séria e cumpridora fiel de sua missão de anunciar o Reino de Deus entre os homens.

A última parte será publicada na segunda-feira, 11 de março.

Vanderlei de Lima cursou Filosofia e Iniciação Teológica pela Escola Mater Ecclesiae, no Rio de Janeiro. É formado em Filosofia pela PUC-Campinas, e pós-graduado em Psicopedagogia no processo ensino-aprendizagem pelo Centro Universitário Amparense-UNIFIA.