Um sobrevivente do Holocausto na Missa do Papa Francisco

Na Itália, discutem a lei penal sobre o negacionismo. Priebke recebido por lefebristas termina sem funeral. Semeraro reafirma que Fraternidade S. Pio X está fora da Igreja

Roma, (Zenit.org) Redacao | 587 visitas

Um dos judeus que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, Enzo Camerino, participou esta manhã da missa com o Papa Francisco missa na capela da residência de Santa Marta. É um dos 16 sobreviventes dos 1.021 judeus deportados para Auswitch de Roma durante a ocupação alemã da Segunda Guerra Mundial.

Às 5h15 da manhã do 16 de outubro de 1943, as SS cercaram o bairro judeu, o Gueto de Roma e revistaram todas as casas. Somente uma mulher e quinze homens sobreviveram. Das duzentas crianças levadas pelos nazistas para os campos de concentração, nenhuma retornou.

O jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, indica que Camerino “quis unir-se hoje aos participantes da solene comemoração que vê reunidos em Roma diversos componentes da sociedade civil e religiosa. A começar pelo Papa Francisco”.

O jornal da Santa Sé define como "uma presença significativa em um dia significativo" no aniversário do "pente fino" do Ghetto de Roma.

A Itália, onde a data é profundamente sentida – até mesmo porque existem muitos que viveram esse terrível momento e dão o seu testemunho – viu no Senado a proposta de um decreto para castigar penalmente aqueles que neguem o extermínio dos judeus provocado por nazistas na segunda guerra mundial e conhecido com a palavra shoah . A proposta de hoje não foi aprovada e o debate vai continuar.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, ao deixar a cerimônia de comemoração realizada esta manhã na sinagoga considerou que o crime de negacionismo "será aprovado pelo Parlamento, dando exemplo também aos outros países”.

Enquanto isso, a proposta de punir com prisão aqueles que neguem os fatos históricos, encontra resistência entre vários juristas e intelectuais, que consideram que é muito mais oportuno responder com as armas da cultura do que com um castigo, o que colocaria em discussão a liberdade de opinião. Em particular dando a conhecer a história às gerações mais jovens, e promovendo iniciativas como as visitas aos campos de concentração das delegações de escolares.

Por outro lado, ontem à tarde foi suspenso o funeral do ex oficial das SS Eric Priebke, que morreu no dia 11 deste mês. O oficial nazista foi responsável pelo massacre de 335 italianos em uma repressão pela morte de 33 soldados alemães. Priebke foi condenado à prisão perpétua, mas por causa de sua idade, como diz a lei italiana, permaneceu em prisão domiciliar. A diocese de Roma negou o funeral público, Argentina e Alemanha não quiseram nem saber de recebe-lo. Pelo contrário a fraternidade lefebrista em Albano, situada a poucos quilômetros de Roma, aceitou acolher o defunto para os ritos fúnebres.

Por causa dos tumultos que foram gerados fora da mansão da Fraternidade São Pio X, o funeral foi suspenso e o caixão com os restos mortais levado a um quartel militar. Será a família que terá que decidir o destino do corpo do seu parente.

O bispo de Albano, Marcello Semerano , disse que "os lefebvristas tem uma sede aqui em Albano desde a época do cisma”, e tal comunidade “não depende de mim: não são da Igreja Católica”.

Monsenhor Semerano, alguém muito próximo ao Papa Francisco e secretário do Conselho dos oito cardeais, reiterou em uma entrevista publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera, que os lefebristas não estão em comunhão com a Igreja Católica. Apesar de se ter levantado a excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos, e apesar das tentativas de Bento XVI de que se aproximasse da Igreja, a Fraternidade de São Pio X continua sem aceitar o Concílio Vaticano II. "Eles não estão em comunhão com o sucessor de Pedro, suas ações foram e continuam sendo ilegítimas, como é a suspensão a divinis”, disse.

O Bispo de Albano também explica que o Vicariato não tinha excluído a oração de sufrágio, de forma discreta e priva, “mas a lei canônica proíbe o funeral, que é um ato litúrgico público, aos pecadores ‘manifestos’ que não tenham dado sinais de arrependimento”.

(Red. Trad T.S)