Uma ajuda para amadurecer: amar de todo o coração

Catequese para toda a família

Madri, (Zenit.org) Luis Javier Moxo Soto | 883 visitas

“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Estas palavras que hoje te ordeno estarão em teu coração” (Dt 6,5-6). Este versículo não faz referência ao órgão físico do coração, um músculo oco que bombeia o sangue, pelo qual passam em 24 horas cerca de cinco litros e meio de sangue através de 96.000 quilômetros de vasos sanguíneos. Na linguagem bíblica, trata-se, sim, do núcleo da vida física, mas também da vontade, dos pensamentos, das lembranças, das emoções, dos afetos, da memória, da consciência moral e religiosa, da decisão diante da fé; ou seja, trata-se da pessoa humana em toda a sua interioridade.

Se existe uma função para cada estrutura corporal, podemos pensar no que a primeira acepção pode nos sugerir para refletirmos sobre a segunda. O coração está situado no centro de um circuito em forma de oito. É feito para representar a nossa necessidade de um amor infinito. Seus movimentos de sístole, contração, e diástole, dilatação, refletem a necessidade de dar e de acolher, de amar e ser amados, e de estar em paz, como é exemplificado pela sequência de seis passos do ciclo cardíaco, do encher-se de sangue das aurículas relaxadas até o esvaziar-se, também relaxados, dos ventrículos.

A pressão sanguínea que corre entre as nossas sístoles (máximas) e diástoles (mínimas), também pode nos fazer pensar na tensão moral que vivemos em nossa vida, e que, mais do que por normas, tem que ser motivada pelo amor, que é difusivo e requer autenticidade em todo momento. A natureza do coração físico também suscita a sua capacidade metafórica no tocante à realidade transcendente do amor.

Se isto é assim com o nosso coração, como podemos viver e interpretar bem o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria? Esses títulos que eles têm não devem nos impedir nunca de aprender a sua mansidão e humildade, de confiar e meditar sobre eles, coisa tão necessária para a nossa vida cristã. Como é a interioridade real de Jesus e de Maria? Como é que eles amam?

O Coração de Jesus, “sendo manso e humilde de coração, exaltado na cruz foi transformado em fonte de vida e de amor, do qual todo homem vem saciar-se” (Martirológio Romano). É assim que ele se doa sempre a nós na eucaristia.

Deus preparou no coração da Virgem Maria uma “digna morada para o Espírito Santo” e, desse modo, pedimos a Ele, por intercessão dela, a graça de chegar a ser “templos dignos da glória de Deus” (oração coleta da Memória do Imaculado Coração de Maria).

Para assegurar a união plena com Deus, o nosso destino bom, não podem nos bastar os gestos externos, uma espécie de “fitas protetoras”; temos que ir além, ir até a verdade de um amor indiviso. Temos que nos renovar por inteiro para amá-lo de todo o coração, com toda a alma, com toda a nossa mente (cf. Mt 22,37).