Uma família que encontrou a Cristo

Testemunho-entrevista de Márcio e Jerusa, pais de 4 filhos, da cidade de Caxias do Sul

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1245 visitas

Marcio é membro do Regnum Christi, zelador do Apostolado da Oração junto a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes em Caxias do Sul, casado com Jerusa com quem tem 4 filhos (Chiara 10, Tobias 6, Maria Cecilia 2 e Antonio 3 meses ) Formado em engenharia elétrica pela UFRGS e mestre em instrumentação eletro-eletrônica, foi professor universitário por 8 anos e hoje é proprietário da empresa Comlink Equipamentos Eletrônicos.

Jerusa é esposa de Márcio e também membro do Regnum Christi, Zeladora do Apostolado da Oração, advogada e professora de educação financeira e direito do consumidor.

Em entrevista à ZENIT o casal Márcio e Jerusa narram um pouco da sua experiência de Cristo, como Cristo os conquistou e como eles, desde então, procuram conquistar outros para Cristo.

Publicamos a seguir a entrevista:

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ZENIT - Quais as diversas iniciativas apostólicas que vocês estão envolvidos atualmente em sua diocese? E quais sãos os maiores desafios que vocês enfrentam para levar a frente tais iniciativas?

Márcio e Jerusa - Como família participamos do apostolado "Família Missionaria" do Movimento Regnum Christi, vamos em Missões nas paróquias onde os sacerdotes solicitam auxilio, juntamente com outras famílias.  Também estamos iniciando uma seção do Movimento Regnum Christi em Caixas do Sul. Participamos na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, do Apostolado da Oração, tendo por desafio revitalizar e trazer mais zeladores para a Paróquia. Zeladores que se dediquem a oração e sacrifícios nas intenções do Santo Padre o Papa e do Sagrado Coração de Jesus.

São muitos os desafios numa sociedade relativista e superficial, procuramos anunciar a Cristo no nosso ambiente de trabalho, na escola dos nossos filhos, porém percebemos que para chegar às pessoas e despertar seu interesse é preciso lançar mão de meios eficazes.

Educar os filhos é nossa prioridade, para que cresçam éticos, com valores morais, e com fé.  Esta é uma missão que nos exige muita dedicação de tempo e investimento de todas as ordens, já que essa geração está inserida em uma sociedade sem valores e contrária à família.

ZENIT - Vocês podem compartilhar, com os leitores de Zenit, como foi este encontro pessoal com Deus que deu inicio a este desejo de amar a Igreja, ao Papa e a Virgem Maria?

Márcio e Jerusa - Meu nome é Jerusa, sou a terceira filha, nasci em família católica, descendentes de imigrantes italianos, fui batizada, e nos anos seguintes recebi os demais sacramentos. Vivi minha infância num ambiente católico,  na escola de devoção ao Imaculado Coração de Maria ou na família. Contudo, isso era mais cultural e não uma experiência pessoal com Cristo. Assim como íamos à Missa aos domingos, também íamos em benzedeiras, eramos supersticiosos, acreditávamos em horóscopo, numerologia e tudo mais que nos ofereciam.

Isso veio à tona na adolescência quando conclui que Deus, se existia, estava tão longe que jamais teria tempo para mim. Eu sofria de crises de pânico e distúrbios do sono. Tinha sede de Deus mas tentava saciar essa sede com as pessoas, com festas, e tudo isso só aumentava o vazio...tinha grandes ideais de mudar o mundo, mas sem Deus acabei perdida em ideologias marxistas.

Meus irmãos e eu sofremos muito neste tempo em namoros frustrados. Na busca de um sentido para vida a nossa conversão chegou por caminhos diferentes mas ao mesmo tempo. Essa é uma linda história, quando Deus tomou as rédeas de nossas vidas e passou a conduzir- nos de volta para Sua casa. Para mim o encontro com Cristo, a queda do cavalo, foi um retiro para jovens com Padre Léo, da Canção Nova,  desde então mergulhei na Verdade e minha vida mudou. Eu tinha 19 anos e cursava a faculdade de direito, passei a participar de grupos de oração da RCC e meu apostolado era a evangelização na universidade. Apos esse encontro com a minha Igreja e a Verdade de Cristo, que Ela é depositaria, descobri que a morte nunca é solução e que o amor é uma resposta viável para qualquer situação na vida, por mais desesperadora que possa parecer. Porque no amor reside a graça de Deus. Então, como estudante de direito passei a defender a vida lutando contra o aborto, inicialmente em sala de aula buscando defender as teorias jurídicas que comprovam que aborto é crime em qualquer situação porque desde a concepção existem duas vidas distintas a dos filhos e a da mãe, os quais gozam da mesma dignidade e direitos enquanto seres humanos.

 Juntamente com outros colegas universitários criamos o projeto adoção, trazendo para a universidade pais e educadores para partilhar sobre essa experiência tao maravilhosa. Passamos a visitar a casa lar e conviver com as crianças e adolescentes que la estavam abrigadas. Minha família acolheu algumas crianças para festejar conosco o Natal e outros momentos. A adoção é uma feliz realidade que me circunda desde então, sendo que pude participar da aproximação de pais e filhos e contemplar esses milagres de amor. Vi e participei de adoções tardias ( crianças mais velhas), adoção de crianças especiais ( portadores de deficiências), adoção de irmãos ( casais que adotaram até quatro irmãos).

Meu nome é Marcio e desde a infância convivo em um ambiente familiar permeado pela fé católica, meus pais e avós sempre foram muito devotos e assíduos aos sacramentos. Este amor pela Igreja, pelo Papa e pela Virgem Maria despertou dentro de mim após a adolescência, até então vivia a fé como uma tradição familiar, foi na RCC em que pela primeira vez percebi que Jesus é uma presença viva em minha vida, na eucaristia e na Santa Mãe Igreja. A partir deste encontro pessoal com o amor de Jesus e Maria, tudo passou a ser mais claro, o significado das tradições familiares, dos preceitos, em fim tudo o que eu fizera até ali, de forma automática, mas que sempre me protegeram de muitos perigos do mundo. Sei que no tempo anterior à minha conversão minha vida já era guiada por Nosso Senhor Jesus Cristo, graças à intercessão de minha mãe e avós e pela consagração de minha vida a Jesus e Nossa Senhora, oferecida por meus pais. Este amor recíproco por Deus me levou a perceber a felicidade de servir ao seu Reino através da Igreja e dos apostolados, por fim, encontrei no Movimento Regnum Christi uma forma de aprofundamento e expressão concreta deste amor e de atender ao chamado de Cristo para levar seu amor aos outros.

ZENIT - Por fim, em suas investidas apostólicas já fizeram uso de recursos audiovisuais, como filmes católicos? Podem citar alguns? E como foi a experiência? ou até mesmo algum testemunho?

Márcio e Jerusa - Nas Missões de Páscoa um dos momentos mais marcantes em que muitos são tocados é na exibição do filme a Paixão de Cristo, na sexta feira Santa. No Movimento Regnum Christi, como meio de formação para a família são feitos cine-fóruns, os quais consistem em um encontro para assistir um filme, porém comentado por alguém que tenha estudado sobre este e sua mensagem. Nós também iniciamos a alguns anos uma coleção de filmes sobre a vida dos santos.  Sempre temos filmes para presentear às pessoas como forma de conquistá-las para Cristo. Também como meio de educar nossos filhos, que amam assistir este filmes e passaram a se identificar com a história dos santos.

Há mais de cinco anos leciono junto a um projeto de preparação de adolescentes em situação de risco para o mercado de trabalho e foi ali que usei como ferramenta de ensino o filme "Bella" (www.filmebella.com), do ator e produtor Eduardo Verastequi, e pude perceber aterrorizada, que a realidade do aborto circulava na vida daqueles jovens, sendo que todos conheciam alguém que já havia recorrido a esse crime. O filme "Bella" tocou esses jovens e proporcionou uma resposta a essa realidade da gravidez não planejada. Ele mostra que não basta fazer de conta que não existe nada, que "o problema" pode ser eliminado.... O filme "Bella" faz um contraponto entre duas realidades a dor da perda de uma filha, de mãe solteira, que teve a chance de nascer e a dor de uma mãe decidida em matar o filho sem lhe dar o direito a vida. Percebi que meus alunos passaram de favoráveis ao aborto a defensores da vida, o filme marcou suas vidas para sempre. Mesmo sem ser um filme explicitamente católico consegue passar uma mensagem cheia de valores cristãos, isso pode ser uma vantagem pois assim derruba-se as barreiras anticristãs existentes em alguns indivíduos. O filme mostra que ser contra o aborto não é uma postura exclusiva dos católicos, mas sim uma atitude cheia de amor a vida que se espera de todas as pessoas minimamente sensíveis independente da religião.