Uma nova evangelização para decifrar os sinais dos tempos

Apresentados os Lineamenta para o Sínodo dos Bispos de 2012

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de março de 2011 (ZENIT.org) - “Uma atitude, um estilo audaz” que se traduz na “capacidade por parte do cristianismo de ler e decifrar os novos cenários dentro da história dos homens, para habitá-los e tranformá-los em lugares de testemunho e anúncio do Evangelho”.

Tudo isso é “nova evangelização”, segundo os Lineamenta da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da Nova evangelizatio ad christianam fidem tradendam – A nova evangelização para a transmissão da fé cristã –, texto apresentado na sexta-feira em Roma à imprensa.

A questão da transmissão da fé estará no centro dos trabalhos sinodais, que serão realizados no Vaticano, de 7 a 28 de outubro de 2012. 

“Um segundo acontecimento – explicou Dom Nikola Eterović, secretário geral do Sínodo dos Bispos – influenciou na eleição definitiva do tema do Sínodo: a decisão do Papa de criar em 21 de setembro de 2010 o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização.

Os próprios Lineamenta oferecem a “distinção teórica” entre “nova evangelização que se dirige principalmente àqueles que se afastaram da Igreja, às pessoas batizadas mas não suficientemente evangelizadas”, da “evangelização como atividade regular da Igreja” e do “primeiro anúncio ad gentes àqueles que ainda não conhecem Jesus Cristo", precisando contudo que “as três categorias às vezes convivem no mesmo território; sendo assim, as Igrejas locais devem praticá-las contemporaneamente, sobretudo por causa da globalização e do movimento das populações”.

A XIII assembleia sinodal se coloca portanto “no renovado compromisso da evangelização que a Igreja empreendeu à raiz do Concílio Vaticano II”, na consciência de que “ela existe para evangelizar e, para levar esta tarefa de modo adequado, a Igreja começa por evangelizar-se a si mesma”.

A nova evangelização – sublinham os Lineamenta – não se trata de voltar a fazer algo que se fez mal ou que não funcionou. Implica “o valor de tentar novos caminhos, frente às condições mudadas dentro das quais a Igreja está chamada a viver hoje o anúncio do Evangelho”.

Cenários

“Os desafios que o contexto cultural e social atual lançam à fé cristã – explicou Dom Eterović – indicam-se nos Lineamenta em seis cenários.”

O primeiro é a secularização. “Ainda que interesse principalmente ao mundo ocidental, dele se difunde para o mundo inteiro”, assumindo “um tom de renúncia que invadiu a vida cotidiana das pessoas, e desenvolvendo uma mentalidade em que Deus está de fato ausente”.

Outros desafios são lançados no fenômeno migratório ligado à globalização, pela revolução informática com “os benefícios e os riscos da cultura mediática e digital”, pelo cenário econômico, com os “crescentes desequilíbrios entre o norte e o sul do mundo”.

A isso se acrescenta a relação entre a ciência e a técnica, que correm o risco de se “converter nos novos ídolos do presente”, e as mudanças de época das últimas décadas no campo político, que estão criando “uma situação mundial com novos atores políticos, econômicos e religiosos, como no mundo asiático e islâmico”.

Frente a esses novos cenários – sublinhou Eterović – os cristãos, além de uma obra de discernimento, são chamados a “dar sabor evangélico aos grandes valores da paz, da justiça, do desenvolvimento, da libertação dos povos, do respeito aos direitos humanos e dos povos, sobretudo das minorias, como também da salvaguarda da criação e do futuro de nosso planeta”.

Segundo Dom Eterović, “o clima cultural e a situação de cansaço em que se encontram muitas comunidades correm o risco de debilitar a capacidade de anúncio, de testemunho ou de educação à fé de nossas Igrejas locais”. Na sociedade atual, “toda ação educativa parece muito difícil”.

A nova evangelização também é “chamada a se ocupar do compromisso cultural e educativo da Igreja”, mas isso precisa mais de “testemunhos do que de professores”. Qualquer projeto de anúncio e de transmissão da fé, de “nova evangelização”, não pode prescindir da necessidade de “homens e mulheres que com sua conduta de vida dão força ao compromisso evangelizador que vivem”.

“A nova evangelização – concluiu Dom Eterović – deveria se converter no novo cenáculo no qual a Igreja, com a graça do Espírito Santo, encontrará não um novo Evangelho, mas uma resposta adequada aos sinais dos tempos e às necessidades dos homens e dos povos de hoje”, assim como “os novos cenários que desenham a cultura através da qual narramos nossas identidades”.

(Chiara Santomiero)