Uma obra em nossas mãos

Dom Walmor Oliveira de Azevedo fala sobre Catedral de Cristo Rei

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 31 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - O dia 30 de agosto de 2012 é data memorável. Foi assinado o protocolo de intenções, celebrado entre a Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez, para a construção da Catedral Cristo Rei. É imprescindível reavivar as razões, o sentido e o alcance desse projeto com lugar para todos.

A Catedral Cristo Rei é uma obra que inclui etapas e empenhos de ordem material, mas também indispensáveis construções nos campos da espiritualidade e da cultura. O entrelaçamento de mãos, mentes e corações desenha esse projeto da Igreja Católica na Arquidiocese de Belo Horizonte, a capital dos mineiros, como edificação de um instrumento imprescindível para continuar alimentando a cultura mineira, com suas especialidades. Minas tem sua história tricentenária marcada pelos valores do Evangelho de Jesus Cristo, vividos e cultivados pela rede de comunidades de fé, em dioceses e paróquias.

A Catedral Cristo Rei edificada se consolidará como monumento à transcendência indispensável para a formação e sustento dessa cultura, da envergadura moral e humanística de um povo tão importante no cenário brasileiro. É um monumento à fé cristã e um importante instrumento, para a sociedade e para a Igreja, por tudo o que ali vai funcionar nos âmbitos da espiritualidade, cultura, arte, educação, serviços e cuidado social.

A assinatura do protocolo de intenções é passo decisivo, delineando o projeto da construção da Catedral Cristo Rei, com seus desafios, expectativas e esperanças, como uma obra em nossas mãos. Essa singularidade, de se poder dizer que a construção da Catedral Cristo Rei é “uma obra em nossas mãos”, há de ressoar na mente e no coração de todos como oportunidade para um exercício de parcerias. União que gera resultados no âmbito da solidariedade, do apreço e incentivo à cultura, que promove o sentido de cidadania fecundado pela fé, segundo os valores do Evangelho de Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo, essa comunhão revela o alcance de uma obra monumental. Não apenas monumental pelas linhas arrojadas da arquitetura modernista, neste caso na genialidade do arquiteto Oscar Niemeyer, que temem Belo Horizonteo berço de sua magnífica trajetória. É monumental por seu sentido simbólico de transcendência, remetendo-nos à convicção central de que a condução da vida, os rumos da sociedade, a dinâmica da cultura e as necessidades de cada pessoa e de cada família não podem prescindir da espiritualidade, da meditação, do encontro com Deus. A transcendência é necessária para mudar mentes e corações, arquitetando lideranças e cidadãos no exercício de responsabilidades, especialmente no cenário social e político. A Catedral Cristo Rei é, pois, uma obra de Minas Gerais, de sua Capital, de todos os mineiros.

Esse entendimento faz ecoar, com leveza e apreço, o convite para que cada pessoa, família, instituição, empresa - pequena ou grande - associações e todos os segmentos da sociedade possam dizer: “Faço parte”. A escolha das Construtoras Mendes Júnior e Andrade Gutierrez foi pautada na competência técnica dessas instituições em capitanear os processos, que incluirão todas as outras empresas e construtoras de diferentes portes, facilitando conexões de pessoas e grupos. Um exercício que receberá da espiritualidade e do sentido da obra a força e o tom, constituindo uma exemplaridade de entendimentos, transparência, cooperação, parcerias e testemunho de que o bem maior preside tudo. Nessa escolha está também o critério importante de serem duas construtoras mineiras, com força para liderar processos complexos como essa obra, no horizonte do seu significado.

O resultado será a constituição de um grande tesouro na cultura de Minas Gerais, um exercício de cidadania e um autêntico testemunho de fé. A Catedral Cristo Rei será exemplar, particularmente, por se tornar o lugar da congregação de todos, de muitos serviços prestados, de referências indispensáveis na vida do povo, na missão da Igreja e na construção da sociedade solidária. Agora é importante a sua colaboração, no espírito solidário e generoso das duas latas de tinta ofertadas por uma senhora, com ofertas maiores e menores, possibilitando a todos nós dizer “eu faço parte”. Contando com a intercessão de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, e do patrono da Obra, São José - Operário e Pai, vamos construir a Catedral Cristo Rei, passo a passo, administrando exigências, respeitando processos, vencendo complexidades, movidos pela convicção do bem e do amor de Deus. Essa é uma obra em nossas mãos.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte