Uma razão libertada do cientificismo e do relativismo, pede cardeal Ruini

Apresentado um livro sobre os desafios da evangelização no Ocidente

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Por Patrícia Navas

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 16 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Se a humanidade "quer ir adiante, se quer enfrentar seriamente os grandes problemas que tem, deve ter uma razão mais ampla, uma razão libertada do cientificismo e do relativismo".

Foi o que assinalou o cardeal Camillo Ruini, anterior presidente da Conferência Episcopal Italiana, em uma entrevista emitida nesta quinta-feira pela Rádio Vaticano, por ocasião da publicação do livro "Confini" (Limites), que recolhe um colóquio entre este purpurado e o historiador Ernesto Galli della Loggia.


O cardeal explicou que o convite que Bento XVI realizou de "ampliar os espaços da racionalidade" aponta à própria humanidade, ainda que também, em um sentido mais concreto, "indica à Igreja o caminho de uma autêntica evangelização" do Ocidente.


"Para a razão teórica, trata-se de não limitar a razão humana em sentido próprio, a razão capaz de verdade, às ciências empíricas, segundo uma tendência difundida no mundo científico e cultural de hoje", indicou.


"Em segundo lugar - acrescentou -, trata-se de superar o que Bento XVI chama "a ditadura do relativismo", compreendendo que também no âmbito prático, no âmbito moral, a razão humana é capaz de lidar com a realidade, com a objetividade, e não só com os desejos e as tendências do sujeito".


O cardeal Ruini afirmou que os obstáculos que atualmente o cristianismo encontra em sua tentativa de encarnar-se na modernidade ocidental têm uma dupla origem. "Por um lado, na própria modernidade ocidental que não só se desenvolve muito rapidamente - o que já por si indica dificuldades de adaptação -, mas que sobretudo teve desde o princípio em muitos aspectos uma orientação não muito favorável ao cristianismo e, em particular ao catolicismo", explicou.


E acrescentou: "por outro lado, as dificuldades têm origem também no interior da Igreja: no que podemos chamar sinceramente de uma certa lentidão para compreender os fenômenos e valorizar os aspectos positivos, assim como o justo contraste com aqueles incompatíveis com a fé cristã".


Por outro lado, o cardeal se referiu à emergência da "nova questão antropológica" como "a maior mudança".


Neste sentido, o purpurado convidou a enfrentar "os grandes desafios antropológicos e éticos que afetam o homem como tal e que têm uma dimensão não só privada, mas, necessariamente, pública.


Entre eles destacou "os que fazem referência à vida e à família, mas também a outras temáticas", e afirmou que "estes desafios requerem uma nova presença da Igreja".


O cardeal Ruini está comprometido com a presença da Igreja na cultura como presidente do projeto cultural da Conferência Episcopal Italiana.


Na entrevista, afirmou que atualmente constata "uma certa desproporção entre a capacidade de presença que os católicos italianos têm no campo social e em particular no campo caritativo, e uma certa fraqueza de sua presença na cultura".