Uma resposta americana à confusão de valores

O primado da vida e da liberdade: responsabilidade e participação criativa

Roma, (Zenit.org) Giovanni Patriarca | 411 visitas

Recentemente, Samuel Gregg, diretor de pesquisa do Instituto Acton, de Grand Rapids, publicou uma obra com título tão provocativo quanto claro, em um contexto americano profundamente marcado por disputas ideológicas contínuas e pela aparente perda de memória histórica.

Em seu “Tea Party Catholic: The Catholic Case for Limited Government, a Free Economy and Human Flourishing”, o autor traça com prosa intensa, filosoficamente estruturada e agradável de se ler, um quadro completo das contradições e dos riscos de uma sociedade chamada a não perder a sua identidade e a se esforçar diariamente, de modo às vezes humilhante e degradante, para não chegar ao nível do Leviatã, nas vestes de um Estado excessivamente paternalista e sedutor a ponto de privar o indivíduo e a comunidade de uma escolha eticamente diferente em questões altamente sensíveis.

Na esteira da Doutrina Social da Igreja, com referências oportunas aos documentos pontifícios, Gregg analisa, num crescendo de temas e perspectivas, os desafios da modernidade, que parece ter perdido os princípios fundadores da virtude, para os quais o zelo, a perseverança, a prudência, o sacrifício, a coragem e a piedade são indissociáveis ​​de um processo humano e transcendente com vista à realização integral da pessoa.

O "círculo vicioso" da justificação da liberdade absoluta produziu um paradoxo antitético e anti-ético que confunde tal autonomia incondicional, de contornos indefiníveis, com o verdadeiro conceito de liberdade, que, privado de toda exigência moral, perde todas as suas características essenciais.

A essa indiferente "emancipação", contrasta-se a alternativa de uma escolha que não é facilmente manipulável e que, ao mesmo tempo, se articula em um processo de reflexão, criatividade e responsabilidade.

Uma jornada pessoal desse tipo não depende de reduções simplistas do relativismo hedonista, mas fica a serviço da comunidade num percurso solidário e subsidiário, em que cada um é livre, respeitado no seu papel e apreciado nos seus talentos.

Desta forma, geram-se naturalmente as condições necessárias para um desenvolvimento econômico que é humanamente integral, não mais míope, autorreferencial e desprovido de valores.

A escolha da fé, numa sociedade responsável e co-criativa, ainda assume uma força motriz para a participação democrática e para a defesa dos direitos invioláveis ​​da pessoa contra um secularismo doutrinário e, não raro, intolerante.

Com base na Dignitatis Humanae, que se originou, durante o concílio Vaticano II, de uma aliança incomum entre os representantes do episcopado norte-americano e os bispos da Europa Central e Oriental, ainda sob o jugo da ditadura comunista, Gregg sublinha o valor positivo do testemunho religioso e não hesita em apresentar a contribuição histórica dos católicos na formação da América contemporânea.