"Unidos ao Conclave" entrega ramalhete espiritual aos cardeais em Roma

Com mais de 20 mil cadastrados, jovens entregaram ramalhete na sexta-feira, 08 de março

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 1699 visitas

Os jovens que criaram o projeto de oração pelo conclave - www.1conclave.com - entregaram o ramalhete espiritual nas mãos dos cardeais reunidos em Roma, nessa sexta-feira, dia 08 de março.

"Diga a todos que nós recebemos, publiquem isto na internet, junto com nosso agradecimento!", foram as palavras de Dom Raymundo Damasceno ao receber em mãos o projeto.

Até o momento registram-se: 37450 Missas, 121434 Pai Nossos, 661646 Ave Marias, 41038 Angelus, 41988 Terços, 13853 Vias Sacras, 20130 Adorações (horas), 17843 Jejuns (dias) e 29401 Sacrifícios.

Alealdo Wendell Menêses Mendonça - que é seminarista em Roma, do ordinariato Militar do Brasil - imprimiu e encadernou 5 volumes, com 123 páginas para entregar aos cardeais.

Em entrevista à ZENIT o seminarista Wendell quis compartilhar alguns detalhes de como foi a entrega “física” do ramalhete espiritual. 

Alealdo Wendell estuda no Pontificio Collegio Internazionale "Maria Mater Ecclesiae", na cidade eterna.

Acompanhe a entrevista:

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ZENIT: Como se envolveu nesse projeto?

Wendell: Conheci o projeto “Unidos ao Conclave” através do boletim da Zenit. Logo me inscrevi e coube a mim rezar pelo Cardeal polonês, Dom Stanisław Dziwisz. Algumas semanas depois, recebi um contato de um amigo, o Geovan Kuba, perguntando se havia a possibilidade de entregar a algum cardeal o ramalhete espiritual.

ZENIT: Houve dificuldades para contatar os cardeais?

Wendell: Nestes dias, o contato com os cardeais está sendo um pouco difícil, tendo em vista o grande assédio da imprensa que muitas vezes, não bem intencionada procura retirar informações dos cardeais, apenas com objetivo de polemizar. Por este motivo, chegar aos Cardeais não foi muito fácil. Contamos, com a graça de DEUS e o auxílio da Virgem Maria, que nos concedeu esta possibilidade.

ZENIT: Como recebeu os ramalhetes do Brasil?

Wendell: Os ramalhetes foram preparados no Brasil, e o nosso novo amigo, Ari Ferreira, enviou por email. Aqui em Roma imprimi 05 volumes com as 123 páginas, fizemos uma bela encadernação com capa vermelha, recordando a cor comum ao Colégio Cardinalício. O vermelho do Martírio e também do Espírito Santo, o verdadeiro “eleitor”, aquele que elege e realmente guia toda a vida da Igreja.

ZENIT: A quais cardeais entregou os ramalhetes?

Wendell: Entregamos os ramalhetes aos cardeais eleitores brasileiros que estão hospedados no Colégio Pio Brasileiro: Dom Odilo Pedro Scherer, Dom Raymundo Damasceno e Dom Geraldo Majella. E, no dia de ontem entregamos ao Cardeal João Braz de Aviz, em seu apartamento aqui em Roma.

ZENIT: Como os cardeais reagiram?

Wendell: Os cardeais que estão no Pio Brasileiro já tinham conhecimento da existência do site. Mas, ficaram todos muito contentes. O Cardeal Damasceno, Arcebispo de Aparecida, ficou com uma cópia para apresentar aos demais cardeais na reunião das congregações. Também agradeceu dezenas de vezes pela iniciativa, por ela ter surgido entre jovens, entre leigos. Demonstrou uma profunda gratidão pelas orações que está recebendo e fez questão de conferir não somente as orações que ele tinha recebido até o momento, mas também dos outros cardeais. Pediu-me que dirigisse os seus mais sinceros agradecimentos aos organizadores e a todos que participaram de tão louvável iniciativa. E na saída, ainda dizia: “Diga a todos que nós recebemos, publiquem isto na internet, junto com nosso agradecimento!”

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, também ficou muito grato. Disse que era algo muito importante, e que todos deveriam continuar a rezar! Agradeceu por ter chegado até ele o ramalhete, mas frisava pedindo que todos continuassem com suas orações. O Arcebispo Emérito de Salvador, o Cardeal Geraldo Majella ficou encantado com a iniciativa, pois, além de agradecer, foi folheando e lendo o livro no carro que os conduzia ao Vaticano para a Congregação que definiria a data do Conclave,

Já o Cardeal João Braz de Aviz, que tinha sido chamado à Roma pelo Papa Bento XVI para ser o Prefeito da Sagrada Congregação para os Institutos de Vida Religiosa e Sociedades de Vida Apostólica, pediu que comunicassem aos organizadores e a todos que rezaram por ele, que num sinal de comunhão, desde o último domingo, quando mantivemos o primeiro contato, está rezando diariamente a Santa Missa também na intenção de seus intercessores.

ZENIT: Para entregar o ramalhete você contou com a colaboração de alguém em Roma?

Wendell: Para entregarmos aos Cardeais este ramalhete contamos com o apoio do reitor do nosso Seminário Maria Mater Ecclesiae, o Pe. Carlos Schertchly, LC e do Pe. Oscar Túrrion, LC que apoiaram a ideia de entregar os ramalhetes aos cardeais.

Depois, a equipe de jornalismo da Emissora Católica Canção Nova que apoiou vivamente a iniciativa, divulgando nos sites em português e italiano e depois cobrindo a entrega dos ramalhetes aos Cardeais, no Colégio Pio Brasileiro. Sem o auxílio do André Luiz da Rosa e do Frederico Henrique de Oliveira, membros da Comunidade Canção Nova que abraçaram a causa, talvez teria sido bem mais difícil que os ramalhetes chegassem aos cardeais.

 ZENIT: Qual era a importância de entregar fisicamente os ramalhetes?

Wendell: O ramalhete tem um sentido todo espiritual, pois as rosas que cada um ofereceu a DEUS pelas intenções dos cardeais e do conclave, foram as suas orações. Contudo, nós somos feitos de “corpo e alma”, expressamos os nossos sentimentos mais espirituais, através de gestos, de ações, e isto também na nossa relação com DEUS.

A entrega simbólica do “ramalhete espiritual” tem um sentido muito belo, pois é a nossa forma de dizer aos nossos cardeais que nós estamos com eles, que a Igreja, povo de Deus, se une aos seus pastores, rezam por eles, confiam neles, pois sabem que o Conclave não é simplesmente uma “eleição” de acordo com os ditames puramente humanos, mas é uma “escolha” segundo o Coração de DEUS. Segundo este propósito, ao fazer uma entrega material, estávamos dizendo justamente que confiamos em DEUS, confiamos que CRISTO está na barca, e podemos dizer: “SENHOR, ajuda-nos! Ajuda a tua Igreja a caminhar contigo!”

Também era importante uma entrega, como forma de agradecimento aos mais de 20 mil cadastros de intercessores que o site recebeu. Uma forma de demonstrarmos a seriedade da missão que cada um assumiu de rezar pela Igreja e pela escolha do novo Sucessor de São Pedro, nosso amado Pastor.

ZENIT: O que fica na sua formação sacerdotal a partir dessa experiência?

Wendell: Recolher estas orações e apresentá-las aos cardeais me fez recordar da importância da missão do sacerdote, enquanto ponte entre DEUS e o homem. Eu estava levando aos cardeais aquelas orações e o meu coração se enchia de alegria, de saber que ali estavam vidas, pessoas, sacrifícios de tantos homens e mulheres e imaginava que a vocação ao sacerdócio ainda vai além disso, pois é apresentar todas estas orações e súplicas, todas estas vidas e sacrifícios diante do próprio DEUS, diariamente em cada Santa Missa. Creio que todas estas experiências devem encher nossa vida de alegria, entusiasmo e fé!