Urnas novas para a eleição de um novo papa

O objetivo das urnas é descrito no capítulo quinto da constituição apostólica

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 948 visitas

Em uma galeria dos Museus do Vaticano, está exposta, em uma obra de tapeçaria, uma das mais antigas representações de urna usada para recolher os votos dos cardeais que escolhiam um novo pontífice.

A peça retrata um episódio narrado nas crônicas da eleição do papa Urbano VIII (1623-1644). No escrutínio final, durante a contagem dos votos, percebeu-se que faltava uma cédula. À direita de quem contempla a tapeçaria, vê-se um escrutinador que vasculha com o olhar um grande cálice, com atenção e interesse, como quem procura ali dentro a cédula perdida.

Um cálice-urna muito semelhante ao dessa tapeçaria, junto com um cibório, está guardado na Sacristia Pontifícia da Capela Sistina. São o cálice e o cibório que foram usados ​​para recolher as cédulas de votação dos conclaves do último século, até João Paulo II.

Com a promulgação da constituição apostólica "Universi Dominici Gregis", sobre a vacância da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice (João Paulo II, 22 de fevereiro de 1996), nasceu a necessidade de adequar as urnas à nova normativa. Ao cálice e ao cibório previstos nos regulamentos anteriores era necessário acrescentar uma nova urna, destinada a recolher o voto de eventuais cardeais com direito a votar, mas impedidos por doença de sair dos próprios aposentos. Em vez de uma urna, pensou-se em criar três novas, para torná-las todas mais funcionais em face do seu objetivo, mas também para padronizá-las segundo um mesmo estilo, digno e artisticamente válido.

O objetivo das urnas é descrito no capítulo quinto da constituição apostólica, que fala, também, de um prato que deve ser colocado sobre a primeira das urnas. Cada cardeal deverá "pôr a sua cédula sobre o prato e, com ele, depositá-la no recipiente" abaixo. A segunda urna, como já dito, será utilizada apenas em caso de haver cardeais eleitores que, impedidos por doença, não possam deixar seus aposentos. E a terceira serve para receber os votos após a eleição, antes de serem queimados para provocar a tradicional fumaça que anuncia aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro a não eleição (fumaça preta) ou a eleição do novo papa (fumaça branca).

As urnas são obra do escultor Cecco Bonanotte, autor das novas portas de entrada dos Museus do Vaticano, que foram inauguradas no Grande Jubileu do Ano 2000. As três urnas, feitas de prata e bronze, apresentam uma linguagem fundamentalmente ligada a duas simbologias: a primeira é a do pastor e do rebanho; a outra, a dos pássaros, da uva e das espigas de trigo. Nos símbolos escolhidos pelo artista, as três urnas se conectam de modo simples e direto ao significado que a pessoa do papa assume na Igreja: o Pastor, o Bom Pastor, que, em nome de Cristo, tem o dever de "confirmar os irmãos" (Lc 22,31) na fé.

A relação de amor entre Jesus e Pedro, e, consequentemente, entre o papa e a Igreja, é sublinhada e confirmada pelo artista nos outros símbolos escolhidos para ornar as urnas: os pássaros, a uva e as espigas de trigo. O pão e o vinho eucarísticos, que são Cristo, acentuam a ideia da caridade, destacada pelo compartilhamento do mesmo pão e do mesmo cálice.

A notícia foi publicada hoje pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS).