Uso da liturgia de antes do concílio, convite à unidade

Segundo o presidente da Conferência Episcopal Italiana

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ROMA, terça-feira, 18 de setembro de 2007 (ZENIT.org).- Em seu discurso inaugural ao Conselho Permanente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), reunido em Roma nesta segunda-feira, Dom Angelo Bagnasco, presidente da mesma, qualificou a aplicação do «motu proprio» «Summorum Pontificum» como uma «medida encaminhada a unir e a ferver à comunidade cristã».



O presidente da CEI sublinhou sua «pronta e incondicional colaboração» com Bento XVI, «em especial quando surgem na opinião pública vozes críticas e discordantes».

Após recordar que o objetivo do «motu proprio» relativo ao uso da liturgia romana, anterior à reforma de 1970, «é claramente tudo espiritual e pastoral», Dom Bagnasco explicou, com palavras de Bento XVI, que «faz bem a todos conservar as riquezas que cresceram na fé e na oração da Igreja».

É necessário «fazer todos os esforços para que se faça possível, a todos aqueles que têm verdadeiramente o desejo da unidade, permanecer nesta unidade ou reencontrá-la.

O prelado precisou que, com o Missal Romano promulgado por São Pio V e atualizado pelo beato João XXIII em 1962, e o de Paulo VI de 1970, «não haverá dois ritos» mas «um uso duplo do único e mesmo rito», que «todos queremos que esteja cada vez mais no centro da dinâmica eclesial, oportunidade de uma plena reconciliação e de uma unidade viva na Igreja».

Segundo o arcebispo de Gênova, «o Papa anima a adotar uma chave de leitura inclusiva, não de oposição», porque «tanto na história da liturgia como na vida da Igreja, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura» e «é a solicitude pela unidade da Igreja no espaço e no tempo a alavanca que move Bento XVI, uma tensão que fundamentalmente corresponde ao sucessor de Pedro».

O presidente da CEI sublinhou que «esta paixão pela unidade deve mover cada cristão e a cada pastor ante as perspectivas que se abrem com o ‘motu proprio’».

«Portanto, não se trata de busca de um próprio luxo estético, da comunidade, e ao melhor em contraposição a outros – acrescentou – mas de vontade de integrar-se cada vez mais no Mistério da Igreja, que ora e celebra, sem excluir ninguém e sem impedimento fechado para outras formas litúrgicas ou respeito ao Concílio Vaticano II.»

«Só assim se evitará que um procedimento encaminhado a unir a dar fervor à comunidade cristã seja ao contrário usado para feri-la e dividi-la», acrescentou.

Sobre a questão que tanto atraiu a atenção do mundo inclusive não eclesial, Dom Bagnasco se mostrou «razoavelmente otimista sobre a melhor valorização do ‘motu proprio’ na vida de nossas paróquias», afirmando confiar no fato de «que tais preocupações pessimistas, surgidas imediatamente, se revelarão logo como infundadas».

«O sentido de equilíbrio que desde sempre caracteriza nosso clero e, portanto, a nossa pastoral – concluiu o presidente da CEI – fará encontrar, graças à ação moderadora dos bispos, os modos justos para fazer germinar o pimpolho novo da planta viva da liturgia eclesial, e mais ainda, em última instância, para relançar e aumentar a mesma em seu conjunto.»