Várias campanhas internacionais tentam salvar a vida de Asia Bibi

A mulher cristã condenada à forca no Paquistão por “blasfêmia”

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ISLAMABAD, terça-feira, 16 de novembro de 2010 (ZENIT.org) - Várias organizações do mundo inteiro, tanto organizações católicas como grupos em defesa dos direitos humanos, colocaram em marcha campanhas de pressão para salvar a vida de Asia Bibi, a mulher cristã paquistanesa condenada à morte por suposta "Blasfêmia".

A Igreja no Paquistão, através da Comissão Justiça e Paz, deu início a uma campanha de pressão para salvar a vida de Asia Bibi e para pedir a abolição desta lei que, segundo declara Dom Rufin Anthony, bispo de Islamabad-Rawalpindi, à agencia católica Asianews, é um pretexto para atacar as minorias, especialmente os cristãos.

Precisamente a agência Asianews começou uma campanha que consiste no envio de cartas de protesto ao presidente do governo do Paquistão, Asif Zardari. Até agora, já chegaram cerca de 40 mil e-mails do mundo inteiro.

Também Ajuda à Igreja que Sofre e a instituição espanhola HazteOir estão organizando iniciativas semelhantes.

Em declarações à agência Fides, Dom Bernard Shaw, bispo auxiliar de Lahore, a diocese de Asia Bibi, lançou um apelo diretamente ao Papa Bento XVI para que interceda por ela, instando também a comunidade internacional a "levantar sua voz, fazer pressão e trabalhar em todos os níveis para salvar esta mulher, que é inocente".

Lei sobre blasfêmia

Dom Joseph Coutts, vice-presidente da Conferência Episcopal Paquistanesa e decidido lutador pela abolição da norma sobre blasfêmia, afirmou, por sua vez, que "o perigo vem do abuso desta lei".

"Pedindo sua ab-rogação, não queremos apoiar os que ofendem o nome do Profeta - esclareceu. Mas deploramos o que se está comprovando na aplicação da lei: qualquer desculpa é boa quando se quer causar dano a um adversário ou inimigo, basta acusá-lo de blasfêmia."

Frequentemente, de fato, "comprovou-se que as acusações eram totalmente falsas".

A Igreja pede a abolição da lei, "mas no Parlamento é difícil que isso ocorra, pois toca um ponto que provoca fortes emoções", reconheceu. Se os líderes muçulmanos "dizem que a lei serve para proteger a honra do Profeta", os políticos "sofrem as pressões dos grupos islâmicos radicais, e isso acontece também no âmbito das autoridades locais e da polícia", provocando uma "fase de estancamento".

Solidariedade das mulheres

Nankana, a cidade da mulher condenada à morte, presenciou nestes dias uma manifestação de mulheres na frente dos edifícios das instituições para pedir sua libertação.

"No caso dela - explicou à agência Fides Rosemary Noel, coordenadora das mulheres católicas -, faltou uma investigação tanto da polícia como do tribunal: infelizmente, é o jogo de poder dos fortes que tritura os fracos."

"No Paquistão, os poderosos têm forte influência sobre as forças de segurança e sobre os organismos judiciais, especialmente nos tribunais de primeiro grau. Daí surgem os juízos não transparentes ou manifestamente injustos. Além disso, existe a força da maioria que esmaga as minorias: e os cristãos sofrem em dobro."

A muçulmana Saman Wazdani, ativista pelos direitos humanos, reconheceu que "existe a urgência de ab-rogar a lei sobre a blasfêmia", mas também de "uma reforma completa das estruturas judiciais".

Precedentes

Asia Bibi não é a única mulher cristã acusada de blasfêmia, ainda que seja a primeira a ser condenada à morte por este delito.

Entre as vítimas, Fides cita Zaibul Nisa, de 60 anos, libertada no último mês de julho, após 14 anos de prisão. Acusada por um vizinho de ter profanado o Alcorão, foi presa sem provas pelas autoridades.

Em maio de 2007, algumas estudantes muçulmanas de Islamabad acusaram de blasfêmia suas colegas do Pakistan Institute of Medical Science. As autoridades fecharam o instituto durante duas semanas, suspenderam o diretor e as quatro estudantes cristãs. Segundo fontes de Fides, a acusação é uma forma de discriminar as mulheres cristãs e negar-lhes o direito à educação.

Em junho de 2005, algumas irmãs de São Paulo de Karachi, que têm uma livraria cristã, foram acusadas de blasfêmia porque, segundo alguns muçulmanos, os CDs e vídeos que se vendiam eram blasfemos e usados para fazer proselitismo. As religiosas sofreram várias intimidações e ameaças.

Para participar da campanha de Asianews, basta clicar em http://www.asianews.it/notizie-it/La-tua-firma-per-salvare-Asia-Bibi-e-il-Pakistan-19997.html.