Vaticanistas expõem seus pensamentos sobre o papa Francisco no dia do seu aniversário

Encontro também celebrou o lançamento do livro-entrevista do pe. Antonio Spadaro com o papa

Roma, (Zenit.org) Nicola Rosetti | 583 visitas

Ontem, 17 de dezembro, um grande grupo de vaticanistas se encontrou no Centro de Estudos Capela Orsini, na capital italiana, para comemorar os 77 anos de idade do papa Francisco e para participar da apresentação do livro do pe. Antonio Spadaro, "Minhas portas estão sempre abertas", obra em que o sacerdote, diretor da célebre revista La Civiltà Cattolica, apresenta e comenta a histórica entrevista que fez ao papa em agosto.

Andrea Conte, presidente do Centro de Estudos Capela Orsini, recebeu os convidados no espaço que atualmente abriga obras de arte focadas no universo feminino. O moderador do encontro, Andrea Velardi, professor na Universidade Roma Tre, falou da novidade representada pelo papa Francisco e citou um cardeal italiano que contou que os eleitores entraram na Capela Sistina sem o nome de Bergoglio na cabeça e foram sendo levados pelo Espírito Santo a elegê-lo.

Marco Tosatti (La Stampa) observou que a entrevista concedida pelo papa ao pe. Spadaro foi cuidadosamente revisada, palavra por palavra, pelo próprio Santo Padre, ao passo que a entrevista concedida ao diretor emérito de La Repubblica, Eugenio Scalfari, não sofreu qualquer revisão.

Marco Politi (Il Fatto Quotidiano), retomando as observações de Tosatti, enfatizou que, no caso da entrevista dada a Scalfari, o papa estava especialmente interessado em lançar uma mensagem ao mundo agnóstico e ateu. Por isso, o texto foi integralmente reproduzido pelo Osservatore Romano apesar de algumas imprecisões, como a menção à oração de Bergoglio antes da aceitação do pontificado. Já no caso da entrevista ao pe. Spadaro, o papa decidiu lançar nela um “manifesto” do seu pontificado, considerando necessário, por isso, fazer uma revisão cuidadosa.

Quanto à figura do pontífice, Politi acredita que devemos tirar da cabeça um Bergoglio “folclórico”, ligado à sua origem latino-americana: tudo o que podemos dizer do papa Francisco é característico da sua própria pessoa. Em comparação com os antecessores mais recentes, Politi recorda como outra novidade o fato de Francisco ter nascido numa metrópole: a região metropolitana de Buenos Aires tem 13 milhões de habitantes.

Vania de Luca (RAI News 24) enfatizou o caráter pastoral do pontífice. Para Francisco, a Igreja não deve apenas abrir as portas para o mundo, mas também sair em busca de quem está longe do seu limiar. Esta ideia, de acordo com a jornalista, teve grande acolhimento na alma de muitas pessoas que lamentam as muitas vezes em que encontram fechadas as portas das paróquias.

Para Gian Guido Vecchi (Corriere della Sera), só um jesuíta como o pe. Spadaro poderia entrevistar um papa jesuíta. O fato de ambos pertencerem à mesma família de Santo Inácio evitou potenciais mal-entendidos. O livro-entrevista com o pe. Spadaro pode ser considerado uma espécie de “ferramenta” para interpretar e compreender o papa Francisco.

Para o vaticanista, uma das maiores revoluções do papa Francisco foi a decisão de morar na Casa Santa Marta, o que permitiu que o papa entrasse em contato mais direto com os colaboradores: para ter acesso ao papa, eles não precisam mais “passar por filtros”. O papa dá andamento à reforma da Igreja com gestos como este. Quando a Igreja não se limitar apenas a aplaudi-lo, mas começar a imitá-lo, veremos os frutos.

Matteo Matuzzi (Il Foglio), o mais jovem dos vaticanistas, acredita que a doutrina está segura com o papa Francisco. Seu estilo, embora possa parecer a alguns, não é impulsivo. Às vezes, os gestos do papa são banalizados e mal compreendidos por quem ignora a complexidade deste pontificado.

Jacopo Scaramuzzi (Linkiesta) comparou Francisco ao presidente norte-americano Roosevelt, considerado progressista pelos conservadores e conservador pelos progressistas.

Para Elisabetta Piquet, autora do livro "Francisco, vida e revolução", Bergoglio é ao mesmo tempo o homem certo no momento certo e a pessoa experiente que já ocupou posições de responsabilidade em momentos críticos. Em sintonia com a declaração do cardeal Kasper, Francisco reformará a Igreja, mas não a refundará.

A chegada do papa Francisco trouxe, sem dúvida, uma nova atmosfera, um novo entusiasmo, um grande orgulho de ser católico, a novidade do "escândalo da normalidade" estampado em seus gestos simples, como o de embarcar para o Brasil carregando uma pasta como se fosse um viajante comum ou o de dar um beijo no rosto da presidente da Argentina durante a sua visita ao Vaticano.

A reunião foi concluída com as palavras do próprio pe. Antonio Spadaro. O diretor de La Civiltà Cattolica afirmou que o papa Francisco não tem soluções na cartola e que as suas decisões são tomadas depois de um atento discernimento, de acordo com o estilo dos jesuítas, através de consultas genuínas e de intensos momentos de oração.

Numa particular “alquimia”, o papa separou a autoridade da distância. Acredita-se, frequentemente, que, ao se aumentar a distância, conquista-se maior autoridade. Isso até pode ser verdade em alguns casos, mas uma autoridade desse tipo não pode durar. O papa Francisco vem baseando a sua autoridade exatamente no contrário disso: na proximidade.

(Texto publicado pela Àncora Online, revista semanal da diocese italiana de San Benedetto del Tronto. Tradução do original italiano por ZENIT)