Vaticano adverte sobre alguns membros da “Obra dos Santos Anjos”

Carta aos presidentes dos episcopados do mundo inteiro

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de novembro 2010 (ZENIT.org) - A associação Opus Angelorum  (Obra dos Santos Anjos) recebeu o pleno reconhecimento canônico depois de um longo processo de purificação de erros e desvios.

No entanto, a Santa Sé adverte que alguns membros, em desobediência às normas ditadas pela Congregação para a Doutrina da Fé, tentam voltar às teorias e usos que motivaram a intervenção na associação há 30 anos.

É o que afirma uma carta circular aos presidentes de todos os episcopados do mundo, divulgada ontem pela Santa Sé, para advertir os bispos sobre esta situação.

A carta está datada de 2 de outubro passado e foi assinada pelo prefeito da Congregação, cardeal Willian Levada, e pelo secretário, Dom Luis Ladaria.

Sobre ela informou também o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Pe. Federico Lombardi, em uma breve nota na qual esclarece que a intenção desta carta é "informar os bispos sobre a atual situação doutrinal e canônica desta associação".

Na missiva, são recordadas todas as disposições tomadas pela Congregação para a Doutrina da Fé desde 1983, após serem examinados os costumes e ensinamentos da Opus Angelorum e da ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz.

Opus Angelorum

Basicamente, o motivo da investigação foi a difusão, por parte desta associação, das supostas visões privadas de Gabriele Bitterlich (1896-1978), leiga alemã de origem austríaca, revelações não conformes com os ensinamentos da Igreja, e sim consideradas bem próximas do gnosticismo.

Segundo explica a congregação, nesta carta aos bispos, intimou-se os membros da Opus Angelorum a "conformar-se à doutrina da Igreja e ao ensinamentos dos santos Padres e Doutores".

Concretamente, proibiu-se "usar os ‘nomes' conhecidos pelas supostas revelações privadas, atribuídas à Sra. Gabriele Bitterlich, nem ensinar, difundir ou utilizar de forma alguma as teorias procedentes destas supostas revelações".

Outro dos pontos controversos consistia no uso não permitido de acréscimos litúrgicos.

Em 1992, a congregação confiou a um delegado, o dominicano Benoît Duroux, a tarefa de dirigir a Opus Angelorum e velar por que se levassem a cabo as disposições da Santa Sé.

"No curso dos anos transcorridos desde então, tal delegado, Pe. Benoît Duroux, o.p., conseguiu levar a cabo as tarefas que lhe foram confiadas e se pode considerar que hoje, graças à obediência demonstrada pelos seus membros, a Opus Angelorum vive leal e serenamente em conformidade com a doutrina da Igreja e as normas litúrgicas e canônicas", afirma a carta.

De fato, no dia 31 de maio de 2000, "esta congregação aprovou a fórmula de uma consagração aos Santos Anjos para a Opus Angelorum". Posteriormente, foram aprovados os Estatutos desta Opus Sanctorum Angelorum, dando-lhe fama de associação pública.

Também a Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, vinculada a esta associação, recebeu a aprovação da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Hoje, na Opus Angelorum, "não subsiste obstáculo algum de ordem doutrinal ou disciplinar que impeça os ordinários locais de acolher em sua diocese tal associação e favorecer seu desenvolvimento".

Desobediência

No entanto, a Congregação para a Doutrina da Fé adverte os bispos sobre "certo número de membros da Opus Angelorum, entre eles inclusive vários sacerdotes", que "não aceitaram as normas dadas por este dicastério e aspiram e trabalham para restaurar o que, segundo eles, seria a ‘autêntica Opus Angelorum'".

O grave é que sua difusão - continua advertindo o dicastério - "é feita de forma muito discreta e se apresenta como se estivesse em plena comunhão com a Igreja Católica".

Por isso, convida os bispos "à vigilância com relação a tais atividades desintegradoras da comunhão eclesial e, no caso de que as tenham identificado na própria diocese, a uma proibição delas".