Venezuela: a violência no Parlamento corrompe sua identidade

Comunicado dos bispos diante da gravidade do momento que o país está vivendo

Roma, (Zenit.org) Redacao | 519 visitas

Os bispos da Venezuela – diante da gravidade do momento que o país está vivendo – publicaram neste 2 de maio um comunicado intitulado com a passagem da I Carta de São João 3, 17: “Amemos não somente com as palavras, mas com fatos e de acordo com a verdade”. No mesmo qualificam de "vergonhoso" o espetáculo de violência contra deputados em uma sessão da Assembleia Nacional e afirmam que fatos como estes desnaturalizam a identidade da referida câmara.

Os bispos dizem que estãos cientes "da gravidade da situação no país" e afirmam que "a situação à qual chegaram tem que levar todos a uma reflexão serena com uma atitude de respeito e diálogo”.

E lembram da mesma carta de João: “ O que odeia o seu irmão é um homicida” e a doutrina evangélica de Jesus que convidou “a ter um coração cheio de paz, desterrando o ódio e a maledicência”. “O ódio, a agressão e a violência que conduzem a caminhos de destruição e de morte. Nossa fé cristã nos convida a ser instrumentos de paz, de perdão e de reconciliação”, destacam.

Reiteram o que foi dito em sua declaração do 17 de Abril, na qual falavam da nova realidade política: estar divididos em duas metades praticamente iguais, como ficou em evidência nas últimas eleições presidenciais.

Por isso reafirmam: “a paz social e política do país pede o reciproco reconhecimento dos dois setores majoritários do povo venezuelano, porque o desconhecimento mútuo fará inviável tanto os planos do governo como os insumos alternativos da outra parte”.

Insistem em que “a violência diária, de rua ou política, a insegurança, a deficiência dos serviços públicos e a crise econômica, requerem ser afrontadas a partir do entendimento entre as partes, pois nenhuma delas é autosuficiente por sí só para resolver os problemas do país”.

O respeito e a justiça, dizem, "devem prevalecer no tratamento entre os cidadãos e as instituições, deixando de lado a arrogância e o fanatismo, os preconceitos e as acusações infundadas".

Portanto, "uma linguagem excludente, ofensiva e ameaçadora, causa medo e indignação na população e pode levar a reações sociais lamentáveis", dizem.

Endossam o pedido da maioria dos venezuelanos "para cessar a repressão, a perseguição, o assédio e despedidas injustificadas de funcionários públicos e a violência por motivos políticos".

"Ter outra opinião ou discordar do projeto oficial – lembram – não tem que ser motivo para temer a perda da liberdade, do lugar de trabalho, da casa ou qualquer outro direito cidadão”.

Quanto às agressões físicas de alguns deputados na Assembléia Nacional, afirmam que “são um ato de violência que causa tristeza e vergonha”. “Venezuela não merece espetáculos tão vergonhosos! Fatos como estes desnaturalizam a identidade do Parlamento e colocam em risco um âmbito essencial de diálogo, discussão e propostas numa sociedade democrática”, destacam.

Portanto, afirmam: "Rejeitamos categoricamente a criminalização do protesto pacífico consagrado na Constituição. Percebemos, na verdade, que a grande maioria da população exige de todos os atores políticos e sociais, uma informação equilibrada, o que corresponda à verdade,  fundamento de toda credibilidade e confiança neles e nas instituições que representam. Não se constrói nada de válido a partir de falsidades, mentiras ou meias-verdades ".

Urge ouvir o Papa Francisco na sua mensagem para a Venezuela: "Convido o querido povo venezuelano, especialmente aqueles que tomam as decisões e os responsáveis políticos a rejeitarem veementemente qualquer tipo de violência, e estabelecer um diálogo baseado na verdade, de reconhecimento mútuo, na busca do bem comum e no amor pela nação".

Convidam também a todos e, em primeiro lugar as autoridades, a cumprir “a obrigação de proteger a vida, manter a esperança e sustentá-la com coragem, constância e verdade”, e pedem “apoiar e respeitar o trabalho das Organizações Não Governamentais, que se comprometem na defesa dos direitos humanos”.

Concluem seu comunicado convidando “a redobrar a oração a Deus para a reconciliação e a paz", e, ao mesmo tempo, "para trabalhar e ser eficaz no amor ao próximo, com gestos de respeito, perdão e solidariedade, sem distinção de qualquer natureza".