Venezuela: bispo Moronta pede que políticos não incitem o povo à violência

Resolvam todos os assuntos em sintonia com seus simpatizantes, mas mantendo a ordem jurídica

Roma, (Zenit.org) | 461 visitas

“Gostaria de fazer a minha palavra chegar até vocês neste tempo particularmente difícil que estamos vivendo na Venezuela”, diz o bispo de San Cristóbal, dom Mario del Valle Moronta Rodríguez, em carta escrita para os sacerdotes e políticos do país. Moronta pede que os padres sejam prudentes e não se identifiquem com nenhuma linha política. Aos dirigentes políticos, ele pede “que não incitem à violência”. 

“Pudemos constatar, pelos resultados eleitorais mais recentes, que a polarização está mais aguda: o país está dividido em dois grandes grupos. Pelas notícias que recebemos e vemos, pelas dificuldades já conhecidas e diante da declaração de não aceitação dos resultados eleitorais por parte de um dos candidatos e da não aceitação da recontagem dos votos por parte do outro, a tensão existente cresceu e houve algumas consequências nada desejáveis. Junte-se a isto o verbo aceso e até incendiário dos líderes das diversas opções políticas, que não favorece em nada”, declara o bispo.

Dom Moronta ressalta o papel dos pastores nesta situação: “Sem deixar de ter a nossa própria opinião, de acordo com a nossa consciência, conforme a Igreja nos pediu muitíssimas vezes, devemos ser prudentes e não nos identificar com nenhuma linha político-partidária. Não nos esqueçamos de que a imensa maioria dos que simpatizam com cada uma das opções políticas contrapostas neste momento são católicos e membros da Igreja”.

Igualmente, o bispo convida os sacerdotes a cuidar dos corações aflitos: “Cabe a nós reanimar, reforçar e reafirmar a nossa vocação de irmãos, pelo fato de sermos filhos de Deus. Durante todos estes dias, como sempre, temos que ‘sanar corações aflitos’, proteger o rebanho de quem quer dividi-lo ou desviá-lo por caminhos de violência, e convidá-los a demonstrar que são discípulos de Jesus na prática do amor fraterno”.

Aos dirigentes políticos, Moronta faz uma exortação especial: “Resolvam todos os assuntos sempre em sintonia com os seus simpatizantes, mas mantendo a ordem jurídica. Os dirigentes políticos, em todas as suas ações, têm o dever de educar 'politicamente' todos os cidadãos”.

O bispo ainda pede, “de coração, que não incitem o povo à violência com o seu verbo incendiário ou com comportamentos e atitudes sectárias. Os dirigentes do governo devem realizar nestes tempos a vontade de diálogo. Os poderes públicos devem respeitar as possibilidades de todos os cidadãos de ser ouvidos e atendidos nas suas reivindicações, além de saberem que o protesto, cívico e cidadão, é uma voz que devem escutar, já que são servidores da cidadania em geral. E todos os dirigentes, da oposição e do governo, devem procurar encontrar-se, mantendo em vista que são servidores do mesmo povo”.

Ao terminar, dom Moronta convida todos a “levar sempre em consideração que a Doutrina Social da Igreja é um instrumento muito privilegiado para a formação cidadã da nossa gente”.