Venezuela : 'Não existe uma petição formal de mediação do Vaticano'

O presidente da Conferência episcopal explica que deve ser o Governo que solicite a participação da Santa Sé na mesa de diálogo

Roma, (Zenit.org) Redacao | 324 visitas

O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV), mons. Diego Padrón, disse nesta terça-feira que o Governo de Nicolás Maduro não fez “um pedido formal” ao Vaticano para ser mediador na crise política que o país enfrenta nas últimas semanas. “Enquanto não haja um pedido formal do Governo, que até agora não aconteceu, não é possível dizer nada concreto”, afirmou monsenhor Padrón.

Em uma entrevista com Shirley, programa do canal de notícias Globovisión, o prelado da Venezuela reconheceu que "ainda não se materializou" essa mediação "porque não é que realmente o Vaticano tenha se oferecido como mediador”, mas que em função da situação do país “e tendo recebido o pedido” da aliança de partidos opositores “a resposta foi positiva”.

O arcebispo de Cumaná explicou que, neste cenário, o secretário de Estado e antigo núncio na Venezuela, o cardeal Pietro Parolín, “está disposto a intervir”, mas reiterou que tem que ser o Governo que solicite essa mediação.

Pessoalmente, mons. Padrón destacou a importância de estabelecer um diálogo entre o Governo e a oposição. Neste sentido, observou que “caso não se dê“ as condições para o diálogo “é preciso busca-las”.

"Ambos os setores devem reconhecer-se, não se pode ir dialogar sem ter uma agenda clara, é preciso superar a desconfiança, mas o bem do país exige ações concretas”, acrescentou.

Na sua opinião, a paz no país "será o resultado de um longo caminho". "A oposição deve fazer uma análise mais aprofundada das 'guarimbas' e quais são as causas que estão por trás, (...), mas a imposição do Plano da Pátria tem sido causa fundamental do que estamos vivendo”, sentenciou.

O prelado venezuelano referiu-se também às relações da Igreja com o presidente da República, Nicolás Maduro, e indicou que, embora “não sejam quentes” como o eram quando estava no poder Hugo Chávez, o atual mandatário “atenuou o tom”.

As declarações do presidente da CEV ocorrem depois de que os membros da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e o Governo manifestaram a sua aprovação à ideia de que um representante do Vaticano sirva de “terceiro de bona fide” no diálogo entre as partes.

Este acordo foi alcançado perante uma comissão de ministros da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), que visitou recentemente o país para acompanhar e ajudar na solução do conflito.

Venezuela vive uma crise política há quase dois meses, o que foi manifestado em uma onda de protestos que deixou pelo menos 39 mortos, centenas de feridos e presos.

[Trad.TS]