Venezuela no centro da reunião anual do CELAM

Os secretários das 22 Conferências Episcopais Latino-americanas, reunidos desde a quarta-feira até sexta-feira 14

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 387 visitas

Os secretários das 22 Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe estão reunidos desde a quarta-feira 12 até hoje, sexta-feira, em sua reunião anual, este ano, na sede da Conferência Episcopal da Colômbia, em Bogotá.

A realidade social, econômica, política e religiosa da América Latina à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja estão sempre no centro da reflexão, embora este ano também entrou a crise na Venezuela.

O país latino-americano está submerso há um mês em protestos contra o governo e até o momento o número provisório é de pelo menos 28 mortos e de uns 300 feridos. O governo mostra-se incapaz de controlar grupos de franco-atiradores que disparam contra os manifestantes e reprime com brutalidade os protestos.

"Os bispos latino-americanos estamos preocupados com a evolução da situação neste país e queremos ter informações de primeira mão dos bispos venezuelanos", disse o presidente do Departamento de Comunicação do CELAM, Mons. Adalberto Martínez Flores. E acrescentou: "sabemos que os bispos pediram várias vezes para acabar com a violência e respeitar os direitos dos manifestantes, para um diálogo aberto e transparente como a única maneira de alcançar a paz e a reconciliação".

E em um artigo recém- publicado no website do Celam, o diretor geral dos programas educativos populares de ‘Fé e Alegria’, Manuel Aristorenam, indica que "o país está enchendo-se de dor, sofrimento, angústia, violência, medo, intimidação de repressão e morte".

Acrescenta que o "conflito está aumentando em um ritmo que se tornará incontrolável. Temos dado carta branca para o confronto, para a eliminação do contrário, para o uso excessivo da violência” e que é necessário detê-la “venha de onde vier. Nem violência para protestar nem violência para reprimir”.

Criticou, portanto, a “violência das guarimbas” ou barricadas, porque afirma: "o direito de protestar não justifica métodos violentos que acabem afetando a mesma comunidade que se pretende defender”. E acrescenta seu "não à violência dos militares e grupos policiais. Algumas forças militares e policiais modernas se caracterizam pelo modo controlado e apegado à lei e aos direitos humanos do uso da força e da sua autoridade. Vemos com preocupação o uso excessivo da força para controlar os protestos e barricadas”.

E convida a “usar a razão”, e apoiar as “várias iniciativas de diálogo que partam do reconhecimento do outro, com acordos específicos e efetivos para a restauração da paz”.

"Apoiamos o apelo do Papa Francisco ao cessar da violência e da hostilidade" fala, antes de que “a violência se faça incontrolável”.

Por sua parte monsenhor Ubaldo Ramón Santana Sequera, arcebispo de Maracaibo, em declarações a Noticelam, antecipadas por ZENIT e publicadas ontem, indicou que a Conferência Episcopal Venezuelana não está conseguindo mediar com o Governo porque “sentiu que não goza da confiança do Governo para realizar este trabalho”.

Espera-se que nesta Sexta-feira possa sair uma nova comunicação do CELAM sobre o assunto.

[Trad.TS]