Venezuela: o Governo convida o Vaticano para participar da mesa de diálogo

Propõe o cardeal secretário de Estado como testemunha de boa-fé, para encontrar uma solução para a violência e os confrontos no país

Roma, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 245 visitas

O Governo da Venezuela convidou oficialmente nesta quarta-feira o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro Parolin, para participar da Conferência Nacional de Paz convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

"Queremos transmitir o convite do Presidente Nicolás Maduro (...), a fim de participar nos processos de diálogo entre representantes do Governo e da oposição venezuelana, através da nomeação da sua pessoa como testemunha de boa fé", disse a carta enviada pelo Ministério das Relações Exteriores da Venezuela ao cardeal italiano.

Este pedido surgiu depois da reunião preparatória da terça-feira, mantida entre o governo e a oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) em Caracas, onde os participantes concordaram na necessidade da presença do Vaticano nos diálogos de paz em nível nacional.

Aceitando, a Santa Sé se uniria aos chanceleres do Brasil, Colômbia e Equador, membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasur), que acompanharão a reunião formal entre o Governo e a oposição que ainda não tem uma data oficial nem uma agenda fixa.

De acordo com várias fontes, parece muito provável que o encontro seja no Palácio Miraflores, sede da presidência. Mas, juntamente com os detalhes de logística e de programação a serem definidos, falta superar a enorme desconfiança que sentem entre si as partes e também colocar-se de acordo sobre os compromissos a serem tomados.

Na terça-feira, em seu programa semanal de rádio o presidente Maduro afirmou que não haveria negociações ou acordos, “mas debate”. Em diversas ocasiões, o herdeiro político de Hugo Chávez se referiu a um possível diálogo com seus adversários como um momento no qual lhes diria “algumas verdades” na cara. Além disso, o presidente anunciou que defenderia a integridade do coletivo. A oposição pede para desmontar a versão paramilitar desses grupos governamentais e julgar a alguns dos seus líderes.

Venezuela vive desde o passado 12 de fevereiro, uma onda de protestos anti- governamentais que, por vezes, se tornaram violentos e, hoje, deixaram pelo menos 39 mortos, centenas de feridos e presos.

[Trad.TS]