Venezuela: universitários pedem mediação da Igreja no conflito nacional

Tensão continua alta. Aviões militares fizeram voos rasantes sobre manifestantes.

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 455 visitas

O presidente da Federação de Centros Universitário da Universidade Central da Venezuela (UCV), Juan Requesens, solicitou ontem a mediação da Igreja Católica venezuelana entre os manifestantes e o governo para frear a escalada de violência.

A tensão aumentou mais ainda nesta quinta-feira, quando aviões militares fizeram voos rasantes sobre as manifestações em Táchira e helicópteros sobrevoaram a cidade de San Cristóbal. Os moradores denunciaram, além disso, que a internet está sofrendo bloqueios.

O líder universitário pediu que a Igreja nomeie um porta-voz oficial e assegurou que os estudantes "continuarão na rua de forma pacífica, pedindo a liberdade das pessoas detidas e expressando o seu descontentamento com a qualidade de vida no país". Requesens exigiu ainda que o governo desarme os grupos irregulares que estão disparando contra os manifestantes. Neste sábado, haverá outra marcha “pela paz, pela justiça e pela democracia", anunciou ele.

Há duas semanas, Caracas, San Cristóbal e Valência vivem uma rotina de manifestações de jovens que acabam virando enfrentamentos entre eles e a polícia.

Dos Estados Unidos, os parlamentares Mario Díaz Balart e Ileana Ros-Lehtinen fizeram um apelo pela paz, condenaram o chavismo e propuseram sanções econômicas contra os responsáveis pelas violações registradas contra os direitos humanos, através de uma legislação que pretendem propor o antes possível em Washington.

O presidente Nicolás Maduro afirmou que redes de televisão como a CNN devem ir embora da Venezuela: “A CNN vai embora da Venezuela, já chega de propaganda de guerra”, declarou. “Eles querem mostrar ao mundo que a Venezuela está em guerra civil. E aqui o povo está é trabalhando”.

Na última quarta-feira, dia em que três estudantes perderam a vida, a rede NTN24, que transmitia os enfrentamentos ao vivo, foi interrompida em plena cobertura.

O presidente declarou em rede nacional que o opositor “Leopoldo López ordenou incendiar as ruas para derrubar o governo. E onde é que ele está agora? Na cadeia, como eu disse. Graças ao poder judiciário e ao Ministério Público. E o mesmo vai acontecer com todos os fascistas: vamos ir capturando um por um”.