Via Sacra refletida pela família no Coliseu

Entrevista com o casal Zanzucchi, autor das meditações da Via Sacra presidida pelo Santo Padre

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ROMA, sábado, 07 de abril de 2012(ZENIT.org)- Na Sexta-feira Santa, o Santo Padre presidiu a tradicional Via Sacra no Coliseu. Para a páscoa 2012, os textos que acompanham as meditações das estações foram escritos, a pedido da Santa Sé, por um casal, Annamaria e Danilo Zanzucchi, que fazem parte do movimento Famiglie Nuove de Grottaferrata. Uma escolha em sintonia com o ano pastoral dedicado à família.

O casal Zanzucchi, originário de Parma, Itália, cinco filhos, fundou o projeto Famiglie Nuove em 1967, fruto do desejo de Chiara Lubich, cujo objetivo é retomar o verdadeiro valor da família, estrutura fundamental da sociedade, hoje mais do que nunca ao centro das crises e ataques. Annamaria e Danilo são também consultores do Pontifício Conselho para a família.

O casal Zanzucchi falou à ZENIT na entrevista que se segue.

Danilo e Annamaria, o que vocês sentiram quando receberam esta missão, tão honorável, do Santo Padre?

Casal Zanzucchi: Recebemos a comunicação de termos sido escolhidos pelo papa Bento XVI para escrever os textos das meditações para a Sexta-Feira Santa, com surpresa, emoção e, sem querer esconder, com apreensão e temor.

 Por outro lado, também, com grande alegria: o fato de que o Pontífice tenha chamado uma família para propagar o pensamento da Igreja nos textos da Via Sacra, parece evidenciar que a família, na própria Igreja, não é apenas objeto de evangelização, mas uma verdadeira “via” da Igreja para viver e difundir o Evangelho, conforme escrito por João Paulo II em sua carta às famílias em 1994.

O ponto central do texto de vocês é exatamente o tema da família. Como fizeram para inseri-lo nas reflexões da Via Sacra?

Danilo: Tentamos olhar a Via Sacra em correspondência com a vida familiar. Na nossa vida de casal, e também na experiência do Movimento Famiglie Nuove, onde conhecemos e, de certa maneira, participamos das dores de muitas famílias, vemos como cada sofrimento é um reflexo da Via Sacra da família.

É sempre um mistério, de fato, a dor da família, pois envolve a pessoa, mas também o casal e até mesmo os filhos. É uma dor comunitária que tem repercussão na sociedade.

Annamaria: A certeza que amadurecemos pouco a pouco é, que a Via Sacra se conecta  muito à vida humana e à da família, particularmente nos momentos dolorosos desta.

Por exemplo, a estação do Cirineu: este abaixar-se à dor de um parente, fazer o impossível para aliviar... Ou mesmo o encontro de Jesus com a Mãe, a co-participação...São episódios que falam de momentos reais vividos pela família.

A Via Sacra é uma realidade viva. Penetrando nessa tradição da Igreja, acolhemos como uma realidade que, não apenas nos fez experimentar a vida de Jesus, mas, Nele, na vida humana em seus diversos momentos e em todas as suas dores.

O que é o movimento Familgie Nuove, que vocês representam?

Casal Zanzucchi:Famiglie Nuove é uma ramificação do Movimento Folcolares, fundado por Chiara Lubich em 1967. É um movimento de famílias a serviço das famílias, para desenvolver suas potencialidades em um contexto como o atual que parece desconhecer as suas funções. São famílias que no amor evangélico, descobriram a fonte e a inspiração para um novo e mais forte compromisso na vida conjugal, no crescimento dos filhos, no diálogo construtivo com outras famílias, ao longo de orientações de espiritualidade, da espiritualidade da unidade.

Atua através de iniciativas familiares e comunitárias nos cinco continentes, o movimento desenvolve percursos formativos para casais e pessoas nas diversas fases da vida familiar e, através da AFN onlus, sustenta 102 projetos de cooperação ao desenvolvimento em 54 países, que são inseridos de maneira continuada até a sua autonomia, além de 18.000 crianças e suas respectivas famílias.

Quais são os maiores problemas para as famílias hoje?

Casal Zanzucchi: Podemos destacar pelo menos dois: Primeiramente, a presença de estímulos ideológicos que, querendo igualar toda forma de convivência, na verdade esvazia a família natural de seu profundo significado e de seus deveres específicos.

O segundo é a falta de atenção que, em tempos de dificuldades econômicas e sociais, as organizações políticas e legislativas destinam para as famílias. Neste sentido, a ênfase dada pelo Santo Padre para a família, através da atribuição que nos foi confiada, é um importante sinal do valor que lhe é dada pela Igreja.

Com tudo isso, podemos dizer que existe esperança de um futuro para as famílias e sobretudo para aquelas numerosas?

Casal Zanzucchi: Temos certeza de que a falta de reconhecimento e atenção em relação às famílias é uma fase transitória. Já estamos sofrendo os efeitos negativos da redução, a quase zero, dos nascimentos. A partir disso, acreditamos que em breve surja uma nova consciência do valor da procriação até mesmo pelo bem comum. Então, virá um novo apoio àquelas famílias que generosamente se dispõem a dar um futuro para a nossa sociedade.

Como é possível, nesta fase “de transição”, alimentar o desejo pela maternidade e paternidade nos casais mais jovens?

Casal Zanzucchi: Testemunhando e difundindo o reconhecimento da alegria que vem da maternidade e da paternidade. Como Famiglie Nuove vemos que muitos jovens casais primeiro se surpreendem e depois vão viver em primeira pessoa este dom. Por isso organizamos cursos de formação para jovens casais que desejam confrontar e ajudar também na experiência educativa dos filhos.

De que maneira a fé pode ajudar a fortalecer e a sustentar o matrimônio de tantos ataques e criticas?

Casal Zanzucchi: Da fé, também como família, obtemos o estímulo para nos unirmos e agirmos. Por isso, desde 1992, colaboramos com as ações do Fórum das associações familiares, presentes na Itália, Espanha e em outras nações européias. Mas sobretudo é importante as ações que buscamos desenvolver junto as instituições locais, para que a família seja reconhecida e ajudada no desenvolver de suas funções de “primeiro lugar social”. Ou seja, o lugar que fornece recursos humanos à sociedade e que, através do testemunho de gratuidade em que se fundamentam as relações familiares, seja também um modelo de vida para toda a sociedade.

(Tradução:MEM)