Vicente de Paulo e Luísa de Marillac: modelos de caridade para hoje

Encerramento do Ano Vicentino em Roma

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ROMA, terça-feira, 28 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - São Vicente Paulo e sua principal colaboradora, Santa Luísa de Marillac, "foram páginas do Evangelho vividas com intensidade".

Assim destacou o prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal José Saraiva Martins, no dia 24 de setembro, na Missa celebrada na Sala do Augustinianum, em Roma, na inauguração do congresso sobre o tema "Caridade e Missão".

Os três dias do congresso, do qual participaram cerca de 500 pessoas, serviram para selar o ano jubilar convocado por ocasião dos 350 anos da morte dos fundadores da Família Vicentina.

"Foram dois grandes professores de caridade porque foram, em primeiro lugar, dois grandes professores de vida espiritual", disse o purpurado.

Depois destacou que "os carismas são um dom do Espírito Santo concedido para a comunidade cristã, para que tenha a valentia de evangelizar, ensinar e curar, mas sobretudo dando testemunho, amando".

"No século XVII - continuou -, para responder à fome de Deus, o Espírito Santo deu à luz São Vicente e a Santa Luísa, que se comprometeram na construção de uma nova sociedade baseada na solidariedade e caridade. Eles souberam envolver todos, os bem situados e os pobres, o rei e a rainha, jovens e velhos."

São Vicente de Paulo, nascido em 25 de abril de 1581 em Pouy, no sudoeste da França, deu vida às Damas da Caridade (depois Voluntariado Vicentino), à Congregação da Missão e às Filhas da Caridade, comprometidas nos hospitais e escolas.

A contribuição de Santa Luísa de Marillac foi fundamental na realização de sua obra. A santa nasceu em Paris, em 1591, pertencente a uma das famílias mais célebres da corte do rei da França.

Mulher e Mãe, Luísa começou a dedicar-se intensamente às obras de solidariedade após a morte de seu marido; em particular, foi ativa na Companhia das Damas da Caridade, sob a guia de São Vicente.

Segundo o cardeal Saraiva Martins, eles sentiam um amor pelos pobres "que não nasce de um sentimento paternalista" e "trabalharam com valentia, tendo intuições proféticas, vivendo seu compromisso como uma verdadeira e própria exigência da fé".

"A Igreja e o mundo necessitam de vossa obra", acrescentou, dirigindo-se à multidão de vicentinos presentes na sala Agustinianum. "A caridade vicentina - concluiu - não é rendição, mas resistência!"

No sábado, 25 de setembro, o prefeito da Congregação para os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica, cardeal Franc Rodé, presidiu uma Missa na Basílica de São Pedro, em presença dos participantes no congresso "Caridade e missão".

Nela, o purpurado destacou o exemplo dos santos fundadores e afirmou que "a demanda de amor é tão insistente hoje como era no século XVII, se não for maior".

"Ser vicentino hoje - disse - significa seguir novamente Cristo, o evangelizador dos pobres, e sua missão; significa ser missionário, ‘inflamar' o coração dos homens com um estilo de vida simples, humilde, amável e cuidadoso."

Neste sentido, explicou, "um vicentino deve ter um grande amor e conhecimento dos pobres: o verdadeiro vicentino conhece Cristo, coloca-o no centro, conhece a São Vicente, Santa Luísa, os santos vicentinos e conhece também os pobres".

"Um vicentino se deixa evangelizar e mudar por eles, age e trabalha por eles - concluiu. Um vicentino é, em primeiro lugar, de Deus e está ao serviço de todos."