Vida consagrada não está a salvo da secularização, recorda Papa

Ao receber os membros do 29º Capítulo Geral dos salesianos

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Por Marta Lago

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 31 de março de 2008 (ZENIT.org).- O avanço da secularização não deixa de fora o estado consagrado, pelo que Bento XVI adverte sobre a necessária prioridade da vida espiritual nas comunidades religiosas.

A audiência que o Papa concedeu nesta segunda-feira aos membros do 29º Capítulo Geral dos salesianos lhe deu a oportunidade de aprofundar na vocação à vida consagrada.

Com o lema de São João Bosco, «Da mihi animas, cetera tolle» («Dai-me almas, ficai com o resto»), o encontro procura «reavivar a paixão apostólica em todo salesiano e em toda a congregação», constatou o Papa.

«O movimento salesiano poderá crescer em fidelidade carismática – observou – só se em seu interior continuar permanecendo um núcleo forte e vital de pessoas consagradas», como de fato quis seu fundador.

Por isso, para «robustecer a identidade de toda a Congregação» – disse Bento XVI aos capitulares (que representam quase 16 mil salesianos presentes em 129 países) –, «vosso primeiro empenho consiste em reforçar a vocação de todo salesiano a viver em plenitude a fidelidade a seu chamado à vida consagrada».

Para enfrentar esta tarefa, o Santo Padre sintetizou: «que Cristo seja o centro de vossa vida! É preciso deixar-se conquistar por Ele e desde Ele é necessário recomeçar sempre». A partir do apóstolo Paulo, exortou a considerar qualquer outra coisa «uma perda frente à sublimidade do conhecimento de Jesus Cristo».

«Daqui nasce o amor ardente pelo Senhor Jesus – confirmou –, a aspiração a identificar-se com Ele, assumindo seus sentimentos e forma de vida, o abandono confiado ao Pai, a dedicação à missão evangelizadora, que devem caracterizar todo salesiano», que por sua vez «deve sentir-se escolhido para seguir Cristo obediente, pobre e casto».

Um risco sobre o qual o Santo Padre alerta vem do «processo de secularização, que avança na cultura contemporânea» e «não respeita, lamentavelmente, nem mesmo as comunidades de vida consagrada».

Por isso, sublinha a necessidade de estar em guarda frente «a formas e estilos de vida que poderão enfraquecer o testemunho evangélico, tornar ineficaz a ação pastoral e frágil a resposta vocacional».

«Peço-vos por isso que ajudeis vossos irmãos [de congregação] a custodiar e reavivar a fidelidade ao chamado», especificou Bento XVI ao Capítulo dos salesianos.

«A vida espiritual deve estar em primeiro lugar no programa de vossa congregação», exortou. E indicou os meios da Palavra de Deus, da liturgia, da «lectio divina» e da Eucaristia para desfrutar «da autêntica espiritualidade da dedicação apostólica e da comunhão eclesial».

E como «garantia» do florescimento da congregação, o Papa traçou o caminho da «fidelidade ao Evangelho» e à Regra própria da família religiosa, a austeridade e «a pobreza evangélica praticada de modo coerente, o amor fiel à Igreja e o dom generoso» de cada um aos jovens, «especialmente aos mais necessitados e desfavorecidos».