Viver em Cristo, proposta da Igreja em Angola e São Tomé

Plano pastoral destaca imperativo da união com o Senhor

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LUANDA, segunda-feira, 20 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Os bispos de Angola e São Tomé e Príncipe convidam os católicos a fazerem uma «revisão profunda» da vivência da sua fé em Jesus Cristo. 

O plano pastoral da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé) para os próximos dois anos, divulgado no dia 15 de outubro, explica que o primeiro ano será dedicado a refletir sobre o aspecto pessoal do viver em Cristo. Já o segundo ano se dedicará à dimensão social do mesmo viver.

Sendo Cristo «a referência necessária do cristão», a CEAST destaca três pontos de reflexão nesta primeira etapa: Jesus Cristo Filho de Deus, Jesus Cristo Servo, Jesus Cristo Peregrino.

Da meditação sobre a própria consciência de Jesus de ser ‘o Filho muito amado do Pai’ «brotam as atitudes fundamentais do discípulo».

«Conhecer e amar cada vez mais o verdadeiro Rosto de Deus, fazendo da leitura e meditação da Palavra de Deus alimento diário da nossa vida e lugar de revelação do Rosto do Pai.»

«Como filhos, buscar a intimidade com o Pai na oração, nos seus vários tipos: adoração, louvor, ação de graças e súplica.»

«Fazer a vontade do Pai em tudo, sempre e a qualquer custo» –afirmam os bispos–, que pedem não tratar a Deus como um comerciante ou um «criado nosso».

Ao destacar a necessidade de evitar o pecado, o episcopado explica que um deles é a falta de confiança em Deus. 

Isso «leva pessoas a crerem na feitiçaria e a procurarem nela a solução dos seus problemas, caindo no medo e na escravidão de poderes reais ou imaginários, esquecendo que somos filhos e não escravos.»

Sob o enfoque de Jesus Cristo Servo, a CEAST enfatiza que «todos somos chamados a reproduzir em nós os traços do Cristo servo: no amor transbordante, no amor que é perdão, compreensão, escuta, apoio e disponibilidade».

«Num mundo tantas vezes marcado pela crueldade, pelo culto do ego e pelo hedonismo, temos de viver o segue-me do Mestre com todas as consequências.»

«Somos chamados, com Cristo, a sermos sinal de contradição, a não aceitarmos a lógica do mundo, a mostrar à sociedade de hoje que só o amor e o serviço libertam e fazem de todos nós uma única família de Deus, uma comunidade de irmãos», afirma o texto.

Já em Jesus Cristo Peregrino os fiéis inspiram-se para trilhar sua vocação. «Como em Emaús, também hoje o Senhor desce às estradas que percorremos para se fazer nosso companheiro de viagem e nos animar a prosseguir a nossa caminhada».

«Os discípulos de Emaús caracterizam bem o homem de hoje e o homem de todos os tempos. A vida cristã é toda ela uma experiência de caminho, uma peregrinação. E assim como Cristo veio ao encontro dos discípulos, também nós somos convidados a ir ao encontro dos irmãos, sobretudo daqueles que vão caminhando sem esperança, sem futuro», afirmam os bispos.

Na conclusão de sua mensagem, a CEAST enfatiza que acreditar em Cristo «implica optar pela sua Verdade, pela sua opção pelos mais pobres, por uma vida orientada por valores morais consistentes».

«Acreditar em Cristo significa abrirmo-nos ao seu Espírito, viver de verdade como filhos de Deus, fazermo-nos servos uns dos outros, trabalhar pela paz e a justiça, lutar pela dignidade da pessoa humana, optar pela vida», destaca o texto.