Votar bem é contribuir para que o Brasil vá bem, diz cardeal

D. Odilo Scherer: escolher cidadãos dignos, probos e capazes

| 1299 visitas

SÃO PAULO, quinta-feira, 9 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – “As próximas eleições são uma ocasião para a participação consciente de todos nas decisões sobre os rumos do Brasil nos próximos anos. Votar bem é contribuir com a própria parte para que o Brasil vá bem”, afirma o arcebispo de São Paulo.

O cardeal Odilo Scherer – em artigo na edição desta semana do jornal O São Paulo – destaca o tema das eleições de 3 de outubro no Brasil.

Segundo o arcebispo, votar bem “ainda não é tudo”. “Mas deixando de fazer as escolhas certas agora, estaremos colaborando para que o Brasil seja mal governado, leis injustas e desajeitadas sejam aprovadas, a riqueza nacional seja administrada mal, ou até desviada de sua legítima destinação e o atraso de vida se prolongue por mais tempo”.

“Os cidadãos têm força política e é do povo que o poder político emana. Na democracia, são os cidadãos que escolhem quem faz leis e governa. Por isso, o exercício desse poder, pelo voto, é importante para o País. Por sua vez, quem for eleito deve exercer o poder político como um serviço ao País e ao povo, de quem recebeu o mandato.”

O cardeal explica que por isso “é bom verificar se os candidatos estão comprometidos com as grandes questões, que requerem ações decididas dos governantes e legisladores, como a superação da pobreza, a promoção de uma economia voltada para a criação de postos de trabalho e a melhor distribuição da renda, a educação de qualidade, saúde, moradia, saneamento básico para todos, respeito à vida e defesa do meio ambiente”.

Governar bem – afirma Dom Odilo – “é governar para todos, e não apenas para grupos, que se beneficiam do governante ou legislador para alcançar ou proteger seus interesses particulares”.

De acordo com o arcebispo, político bom “está comprometido com o bem comum, que se expressa na liberdade, justiça e solidariedade social, segurança pública e cultura da paz, no pleno respeito à dignidade da pessoa e seus fundamentais direitos, em especial, na inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural”.

“São valores são fundamentais e irrenunciáveis para o convívio social. Isso também requer a promoção de condições econômicas para a satisfação das necessidades básicas e a vida digna da população, bem como o reconhecimento da legítima posse de bens, preservada a dimensão social da propriedade.”

As eleições são “o momento bom para escolher cidadãos dignos, probos e capazes de governar e legislar com sabedoria e prudência; momento também de não conferir esta responsabilidade pública tão importante a cidadãos que não tenham ‘ficha limpa’”.

“Isso requer um esforço dos eleitores para conhecer os candidatos e para não votar de maneira inconsequente. Alguém entregaria as chaves de sua casa a um zelador não-confiável? Ou a senha do cofre a um ladrão comprovado?”, questiona o arcebispo.