Voz do Papa no Patriarcado ecumênico de Constantinopla

Através da delegação vaticana, em Istambul pela festividade de Santo André

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Por Marta Lago


CIDADE DO VATICANO/ISTAMBUL, sexta-feira, 30 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Rumo à unidade de católicos e ortodoxos, chegou a Istambul a delegação vaticana que, pela festividade de Santo André, entrega hoje ao Patriarca (ortodoxo) ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, uma mensagem e um presente de Bento XVI.

A visita corresponde ao habitual intercâmbio de delegações pelas respectivas festas patronais, em 29 de junho em Roma pela celebração de São Pedro e São Paulo, e em 30 de novembro em Istambul.

O Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos confirma, em um comunicado difundido nesta quinta-feira, que seu presidente, o cardeal Walter Kasper, encabeça a delegação vaticana, na qual se encontra o secretário do dicastério, o bispo Brian Farrell, e o Pe. Vladimiro Caroli, oficial da Seção Oriental do mesmo; em Istambul se une a eles o núncio apostólico, Dom Antonio Lucibello.

Neste ano, a delegação vaticana tem uma tarefa especial – sublinha o comunicado: entregar uma lembrança especial do Santo Padre no primeiro aniversário de sua histórica visita à Turquia e de seu encontro com o «Irmão do Oriente».

Bartolomeu I receberá, da parte do Papa, uma belíssima reprodução do «Cordeiro Místico» da abóbada da igreja de São Vital de Ravena (Itália) – entre as mais importantes da arte bizantina.

Quem se encarregou da realização do mosaico, especificamente para a ocasião, foi a arquidiocese de Ravena. Lá se celebrou, no mês passado, a 10ª sessão plenária da Comissão mista do diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto, fruto da qual é o «Documento de Ravena», que marca o início da reflexão sobre o papel do bispo de Roma.

As sedes de Roma e de Constantinopla, «depois de terem se dedicado de muitas formas à reativação do diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas», contemplam aquela plenária «com sentimentos de esperança», afirma nesta quinta-feira o comunicado do Conselho Pontifício.

O Documento de Ravena, «votado na conclusão do encontro, pode de fato alentar o diálogo futuro – acrescenta – e constitui o primeiro passo para o aprofundamento daqueles temas neurálgicos que impedem a plena comunhão entre o Oriente e o Ocidente cristãos».

O documento final de Ravena, «aprovado por todos os presentes, é importante porque católicos e ortodoxos acordaram uma plataforma teológica, eclesiológica comum sobre a qual fundar a discussão sobre o primado do bispo de Roma», recorda o subsecretário do dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Eleuterio Fortino, em «L’Osservatore Romano» – edição italiana de 30 de novembro de 2007, distribuída na tarde de ontem.

Ponto central do documento – aponta – é «o fato de ter constatado juntos que na história da Igreja, em três níveis – local (diocese), regional (metropolitano, patriarcado) e universal – existe um primeiro, um ‘protos’, alguém que tem uma função particular, respectivamente o bispo na diocese, o patriarca no patriarcado e o bispo de Roma como ‘protos’ no nível universal».

«Reavivar um diálogo que prossegue na verdade e na caridade»: é o espírito com o qual o cardeal Kasper encabeça a delegação que visita o Patriarcado ecumênico de Constantinopla, lê-se no jornal do Papa.

Suas páginas dedicam um amplo espaço à festividade do Patriarcado e publicam uma entrevista concedida por Bartolomeu I, para quem o método que deve ser seguido para alcançar a unidade dos cristãos é «ter o olhar fixo em Cristo», porque «sem Ele não podemos fazer nada».

«É a mesma regra de diálogo ditada por Bento XVI: ‘Não antepor nada a Cristo’. O caminho é verdadeiramente comum», constata-se em «L’Osservatore Romano».

Em Istambul, hoje, os delegados do Santo Padre participam da Divina Liturgia presidida pelo Patriarca ecumênico na igreja patriarcal de São Jorge no Fanar; lá se fará entrega da mensagem papal, à qual dará leitura.

A visita compreende um encontro com Bartolomeu I e conversas com a Comissão sinodal encarregada das relações com a Igreja Católica.