XV Jogos Pan-americanos - Rio 2007: esportes também nos levam a Deus, diz cardeal

Para Dom Eugenio Sales, também do ponto de vista religioso o esporte é de grande importância

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RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 13 de julho de 2007 (ZENIT.org).- No contexto da abertura dos XV Jogos Pan-americanos, esta sexta-feira, no Rio de Janeiro, um cardeal brasileiro escreveu aos fiéis para recordar que, em uma perspectiva evangélica, a prática dos esportes também nos leva a Deus.



Segundo o arcebispo emérito do Rio, Dom Eugenio Sales, já o apóstolo Paulo, em sua segunda epístola aos Coríntios (I Cor 9,24), exorta os cristãos em sua vida religiosa com as seguintes palavras: “não sabeis que no estádio todos os atletas correm, mas só um ganha o prêmio? Correi, portando, de maneira a consegui-lo”.

Dom Eugenio recorda ainda que na celebração da missa no Estádio Olímpico de Roma, por ocasião do Jubileu dos Desportistas, em 1984, Ano Santo da Redenção, João Paulo II disse: “Através da metáfora da sadia competição desportiva, o Apóstolo põe em evidência o valor da vida, comparando-a a uma corrida rumo a uma meta não só terrestre e passageira, mas eterna. Uma corrida em que não só um, mas todos podem ser vencedores”.

«As diretrizes dadas, naquela época, pelo Santo Padre João Paulo II, são válidas, ainda hoje, para os fiéis católicos e homens de boa vontade e merecem ser relembradas de modo particular nestes dias», escreve o arcebispo.

Segundo Dom Eugenio, o esporte deve corresponder, «sem se desnaturar, às exigências dos nossos tempos: um desporto que tutele os mais frágeis, não exclua ninguém e liberte os jovens das insídias da apatia e da indiferença, suscitando neles um sadio espírito de competição».

«Um desporto que seja fator de emancipação dos países mais pobres e ajude a cancelar a intolerância e a construir um mundo mais fraterno e solidário; um desporto que contribua para fazer amar a vida, eduque para o sacrifício, o respeito e a responsabilidade, levando à plena valorização de cada pessoa humana.»

«Profissional ou amador --prossegue o arcebispo--, o atleta tem influência positiva ou negativa em sua comunidade local ou em nível nacional ou internacional. Não pertence a si mesmo, ao se tornar um herói, mas responde, diante de Deus, pelo seu desempenho. Em decorrência, é um estímulo positivo ou negativo para o comportamento do próximo.»

«Portanto, com o aprimoramento físico, impõe-se a educação social, moral e a formação do caráter. O sucesso não depende exclusivamente do vigor físico, do aperfeiçoamento técnico, mas também do discernimento decorrente das virtudes cristãs. Colocar o bem da equipe acima da vaidade pessoal deve ser fator primordial na obtenção da vitória.»

Segundo Dom Eugenio, foi o que recordou uma vez mais o Apóstolo Paulo: “Os atletas abstêm-se de tudo; eles, para ganhar uma coroa perecível; nós, para ganhar uma coroa imperecível” (1 Cor 9,25).

«Cada cristão é chamado a tornar-se um sadio atleta de Cristo, ou seja, um fiel e impávido testemunha do seu Evangelho. Mas, para o conseguir, é necessário que ele persevere na oração, se exercite na virtude e siga o Mestre divino em tudo», escreve o cardeal.