Zimbábue: governo utiliza adolescentes para reforçar unidades policiais

O arcebispo Ncube o acusa de exploração e lavagem cerebral

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ROMA, segunda-feira, 4 de junho de 2007 (ZENIT.org).- O regime de Robert Mugabe no Zimbábue está treinando jovens adolescentes para reforçar suas unidades policiais e aplica técnicas de lavagem cerebral nos acampamentos do Exército.



Esta informação foi dada pelo arcebispo Pius Ncube de Bulawayo à associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O arcebispo assinalou que o presidente Mugabe está submetido a uma pressão externa e que o controle do Estado está aumentado, e acrescenta que em um recente encontro de sacerdotes apareceram alguns desses jovens policiais, que insistiram em estar presentes na reunião. Quando lhes explicaram que não era possível e lhes negaram o acesso, exigiram falar com o presidente da reunião. O encontro era totalmente apolítico e de nenhuma forma estava previsto abordar questões políticas.

Em linhas gerais, registra-se um aumento de interferências por parte do Estado. As eleições estão previstas para o ano que vem, mas a população já está intimidada. Segundo o arcebispo, mais de 600 pessoas foram recentemente presas, golpeadas, torturadas e detidas durante semanas. «Esta campanha está dirigida a desmoralizar a população», precisa o arcebispo Ncube, que assinala que o Governo está aumentando até o máximo o nível de temor generalizado. Ele mesmo considera que é parte de sua vocação elevar a voz em nome dos necessitados e dos indefesos, e assegura que não teme por sua pessoa.

A situação no país é cada vez mais crítica, também devido à inflação, que já superou 5.000%. Os dados oficiais não são corretos, assegura o arcebispo. Cada vez mais pessoas abandonam o país, entre elas muitas crianças e jovens que cruzam a fronteira a pé sem a proteção de ninguém. Segundo o arcebispo Ncube, com freqüência acabam sendo vítimas da exploração sexual. No total, estima-se que 3,5 milhões dos 12,9 milhões de habitantes do Zimbábue fugiram ou estão a ponto de fazê-lo, razão pela qual muitas estruturas deixaram de funcionar. Assim, por exemplo, cerca de 10.000 professores abandonaram o país com a esperança de encontrar trabalho na África do Sul, uma situação que o arcebispo considera preocupante.

A situação humanitária também se agrava dia a dia. O arcebispo Ncube assegura que cada vez morrem mais crianças de desnutrição e que os bebês são o principal grupo de risco: na maioria das vezes, quando as mães os levam ao hospital, já não há esperança. Agora há menos fome, mas, ao mesmo tempo, a expectativa de vida continua diminuindo para mais de um milhão de vítimas do HIV, e o número de órfãos da AIDS aumenta de forma dramática. Atualmente, uma de cada 10 crianças já é órfã, o que faz que Zimbábue detenha a maior taxa de órfãos em todo o mundo. O arcebispo precisa que há 38.000 lares formados exclusivamente por crianças.

A Igreja faz todo o possível para oferecer ajuda benéfica, ainda que, como assinala o arcebispo Ncube, é consciente que esta ajuda não é mais que «uma gota no oceano». Por esta razão, insta o Ocidente para que ajude a população do Zimbábue.