Por Edward Pentin
ROMA, domingo, 12 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Trata-se de um dos piores tipo de escravidão, mas continua nos dias de hoje: crianças usadas como soldados, possivelmente 250.000 em todo o mundo, que são obrigadas a matar seus vizinhos, às vezes até seus pais, irmãos e amigos.
Em dias passados, Bento XVI prestou homenagem aqueles que tentam pôr fim a este terrível flagelo e ajudar estas crianças a regressarem à vida normal. Falando no final de sua audiência geral semanal em 24 de junho, ele contou a uma delegação visitante liderada pela ONU, uma entidade que luta contra o uso de crianças como combatentes, seu "profundo apreço" pelo seu empenho.
"Penso em todas as crianças do mundo, em especial naquelas que estão expostas ao medo, abandono, fome, abuso, doença, morte", o Santo Padre disse. "O Papa está próximo de todas estas vítimas e se lembra delas em oração".
Segundo a Coalizão contra o uso de crianças-soldados, grupo de organizações de direitos humanos, embora muitas crianças tenham sido libertadas das guerras, outras milhares foram arrastadas para novos conflitos como os da Costa do Marfim, Sudão, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo e Mianmar.
As crianças, algumas até de cinco anos de idade, não só são treinadas para usar armas, mas também para espalhar minas e explosivos, observar, espionar, ou agir como chamariz, correios ou guardas. Elas também podem ser forçadas a desempenhar funções de apoio logístico, e muitas das meninas são coagidas à escravatura sexual. A maioria são mal alimentados e têm pouco ou nenhum abrigo. E mesmo que os seus captores as libertem, são muitas vezes estigmatizadas na volta para casa e rejeitadas por suas comunidades.
Ainda há esperança para aquelas que sobrevivem e que conseguem escapar. Segundo as Nações Unidas, em grande parte graças ao trabalho das comunidades religiosas e, em particular, da Igreja Católica, elas têm acesso a comida e abrigo, e são ajudadas na reabilitação e reintegração.
Radhika Coomaraswamy, representante do secretariado-geral da ONU para as crianças e os conflitos armados, disse que ela tinha em parte vindo ao Vaticano para agradecer pessoalmente a Bento XVI pelo trabalho que a Igreja está a fazer nesta área. A Igreja, disse ela numa conferência de imprensa em 24 de junho em Roma, está fazendo "um enorme e bom trabalho" para ajudar essas crianças. Através de sua vasta rede, disse, a Igreja se sensibiliza através da educação e atua como um "sistema de alerta rápido" para ajudar a proteger e impedir as crianças de serem raptadas.
Promovida pela Comunidade de leigos de Sant’Egídio, que por si só muitas vezes tem apoiado a reabilitação dessas crianças, a conferência de imprensa também ouviu Grace Akallo, uma ex-criança-soldado de Uganda, hoje com 29 anos. Graças ao trabalho da Igreja, ela ganhou uma nova vida depois de ser raptada de sua escola católica e levada para o Sudão, onde foi forçada ao casamento, ensinada a usar armas de fogo e onde conheceu outras crianças que haviam sido coagidas a matar parentes e amigos.
Ela finalmente encontrou a liberdade, foi recuperada graças a sua ex-diretora - uma freira - que simplesmente lia para ela, e acabou por freqüentar uma universidade em Uganda. Ela agora é uma estudante formada nos Estados Unidos.
"O que estas crianças mais precisam é de amor e aceitação, pois a maioria da sociedade as rejeita", disse Akallo, e salientou a importância da "prevenção e proteção" para estas crianças. Educação da sociedade é fundamental, ela disse, e relembrou como, ao voltar para casa, era "expulsa do ônibus, chamada de palavrões e espancada por vezes na cabeça, porque acreditavam que eu tinha cometido crimes."
Também falou a Irmã Rosemary Nyerumbe, do Sagrado Coração, que dirige um centro para ex-crianças-soldado no Norte de Uganda. "Nós todos temos a responsabilidade e a obrigação de restaurar a dignidade perdida e a inocência destas crianças", disse ela. "Você pode abrir a porta de sua casa, mas a coisa mais importante você pode fazer é abrir a porta do seu coração e chegar a essas crianças."
















