ZP09111601 - 16-11-2009
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Economia precisa de influências de caráter moral, diz arcebispo


D. Walmor de Azevedo comenta que gratuidade deve ser referência regulatória


BELO HORIZONTE, segunda-feira, 16 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A economia é uma atividade cuja autonomia não deve ser entendida como ausência de influências de caráter moral, assinala o arcebispo Belo Horizonte (Brasil).

Se assim for, corre-se o risco de danos graves, gerando “abusos no uso de seus instrumentos, até mesmo de forma destrutiva”, comenta Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo enviado a ZENIT na sexta-feira.

Segundo o arcebispo, a economia “carece de uma civilização própria para mudar rumos perversos e desastrosos que a lógica de mercado tem determinado como horizonte para a sociedade contemporânea - gerando déficits e lacunas em detrimento de seus considerados avanços e conquistas agrupadas no âmbito do que se entende por desenvolvimento”.

“Os resultados e os rumos da economia indicam que, para além do tratamento dos seus números nos âmbitos próprios, é preciso refletir sobre as questões de princípio”, afirma.

“Aqui se localizam os horizontes que possibilitarão o desabrochar próprio da economia, sem perder os seus indispensáveis elementos regulatórios e apontando para o permanente desafio de superar a exclusão social, a discriminação classista e a divisão do mundo entre os que podem, os que podem tudo e os que podem pouco ou nada.”

Dom Walmor recorda que Bento XVI, em sua encíclica Caritas in veritate, afirma que a gratuidade é uma referência regulatória de grande importância para o sistema econômico.

A gratuidade “aponta razões e argumentos que ultrapassam simplesmente a lógica, por exemplo, de números que podem cegamente avançar na direção do lucro e das vantagens em prejuízo da vida e da humanização, que deve ser o capital mais importante na consideração do desenvolvimento”.

“Na busca de um funcionamento capaz de articular o desenvolvimento e a existência como experiência de um dom, não se pode dispensar, para além das urgências dos números e dos resultados, a referência insubstituível que está numa compreensão não simplesmente mercantilista da sociedade, de sua organização e de seus funcionamentos”, destaca o arcebispo.

A autossuficiência do homem contemporâneo “convicto de que pode simplesmente por sua ação eliminar o mal presente na história” pode trazer “consequências nefastas” para o desenvolvimento.

Esta convicção de autossuficiência “induz o homem a identificar a felicidade e a salvação como formas imanentes de bem-estar material e ação social”.

A ausência de influências de caráter moral nos sistemas econômicos, sociais e políticos gera “a incapacidade de assegurar a justiça que prometem, que é o mínimo a ser alcançado como compromisso desses sistemas”.

“A civilização da economia não pode prescindir da solidariedade que nasce da gratuidade”, enfatiza o arcebispo de Belo Horizonte.

“É indispensável a convicção de que todos são responsáveis por todos, caminho solidário para a civilização da economia”, afirma. 

(Alexandre Ribeiro)


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