Por Roberta Sciamplicotti
MOSCOU, quinta-feira, 19 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Com seu potencial educativo, as instituições eclesiais podem proporcionar uma grande contribuição para a instauração de uma sociedade caracterizada pela segurança nas estradas.
Assim afirmou o arcebispo Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, ao intervir hoje em Moscou como representante da Santa Sé na “1ª Conferência Ministerial Global sobre a segurança nas estradas: o tempo de ação”, que se realiza até amanhã.
A conferência, como explicou o prelado, tem o objetivo de “melhorar a segurança do tráfego global através de medidas completas e apropriadas”.
“A Igreja Católica – recordou – vê a mobilidade humana sobretudo como um desenvolvimento positivo para a humanidade.”
Os diversos sistemas de transporte, sublinhou o arcebispo, permitem “encontrar trabalho adequado e beneficiar-se, entre outras coisas, de serviços básicos no âmbito sanitário, social e cultural”.
Da mesma forma, a mobilidade tem também “uma função social e de mercado fundamental, enquanto que os bens podem ser transportados do seu lugar de produção através de redes apropriadas de distribuição para depois chegar ao consumidor”.
Tanto se acontece por objetivos econômicos, sociais, didáticos ou recreativos, a mobilidade proporciona, portanto, um “vínculo humano entre as pessoas e as culturas e favorece a interação e o diálogo humano”.
O fenômeno não está, contudo, isento de problemas, que apresentam “desafios urgentes para as instituições e os indivíduos”.
Neste contexto, a Igreja tenta enfrentar estas questões “promovendo uma consciência renovada das responsabilidades morais relacionadas à mobilidade, como a observância das normas de tráfego, que é necessária para evitar acidentes e tragédias”.
Com este fim, o dicastério de que o arcebispo é secretário publicou, por exemplo, um documento específico em 2007, as “Orientações para a Pastoral da Estrada”, que busca “promover uma melhor coordenação entre as diversas atividades e iniciativas da Igreja, incluída a colaboração com as autoridades civis, com o intuito de animar e estimular as Conferências Episcopais dos diversos países para desenvolverem e promoverem este cuidado pastoral”.
Importância da instrução
Sobre a segurança nas estradas, Dom Marchetto explicou que tanto a Igreja como o Estado estão chamados, cada uma em sua própria esfera de responsabilidade, a proporcionar uma instrução adequada aos problemas e às atitudes ligadas à segurança no tráfego.
Se o Estado “tem um papel no âmbito político, administrativo, penal, ligado ao trabalho, técnico e civil”, também a Igreja pode contribuir para o alcance destes objetivos, “principalmente através do potencial educativo que as instituições eclesiais têm, sobretudo para crianças e jovens”.
Neste esforço de prevenção, a escola é, de fato, de vital importância, porque nela os jovens “aprendem o respeito pelas demais pessoas e se conscientizam de que os problemas do tráfego fazem parte do uso dos bens comuns e deveriam ser tratados com sensibilidade”.
“A formação prioritária deveria chegar também às famílias, nas quais os pais e membros mais idosos são convidados não somente a reconsiderarem suas próprias atitudes com relação aos problemas gerais relativos à segurança no tráfego, mas a transmiti-las aos membros mais jovens, aumentando a consciência não somente entre os automobilistas, mas também entre os usuários das estradas de diverso tipo: neste grupo estão os idosos e deficientes”, acrescentou o arcebispo.
Ainda que os novos meios de transporte sejam hoje “uma das mais desejáveis expressões da tecnologia”, que é uma “expressão da liberdade humana”, esta última é realmente autêntica “somente quando responde ao fascínio da tecnologia com decisões que são fruto da responsabilidade moral”, reconheceu.
“Alcançar esta responsabilidade é a chave para ter êxito em nosso trabalho comum – concluiu Dom Marchetto. A Santa Sé busca uma forma de cooperar e promover associações em todas estas esferas diferentes com o fim de tornar também nossas ruas e meios de transporte mais seguros para todos.”
















