BELO HORIZONTE, sexta-feira, 20 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Ter lucidez na interpretação da realidade é uma tarefa não só da Igreja, mas também das instituições, grupos, movimentos e de cada pessoa. Mas sem Cristo, a realidade permanece “um enigma indecifrável”, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil).
Dom Walmor Oliveira de Azevedo –em artigo enviado a Zenit hoje–, assinala que uma “leitura distorcida” da realidade “é risco e prejuízo certos quanto à clareza de rumos e, particularmente, na solução de problemas e encontro de respostas”.
“Não é fácil esta tarefa. Isto porque a realidade é complexa e múltipla, não permitindo a pretensão de dominá-la e de, facilmente, explicá-la.”
Segundo o arcebispo, a leitura da realidade é “uma necessidade e um enorme desafio”. “Torna-se por vezes um enigma indecifrável – uma verdadeira característica deste tempo pós-moderno”.
Dom Walmor considera que a razão “não dá conta, por si só, de produzir sentido e de elaborar uma compreensão que articule o conjunto das significações para possibilitar a clareza de rumos, a pertinência da participação e o comprometimento no lugar que se ocupa”.
“Também não dá conta de fazer brotar a consciência de sentido no próprio viver, e fazer de si a fonte da serenidade que não se pode deixar de ter, ou da capacidade de lidar com o diferente, o múltiplo e o rápido, características desafiadoras deste terceiro milênio.”
Torna-se claro –prossegue o arcebispo–, “sempre mais, que o não-conhecimento de Deus, em Cristo e com Cristo, faz da realidade um enigma cada vez mais indecifrável, em razão de o indivíduo não hospedar em si uma luz própria, sua espiritualidade e sua integridade moral”.
“O indivíduo carente deste conhecimento, ainda que explique muito, toque aspectos interessantes e verdadeiros, próprios da realidade, será um kamikaze de si mesmo.”
“Viverá a ilusão de que a felicidade está lá, no outro, do outro lado, nalguma coisa, incapacitado de perceber que, antes de tudo, a sua condição é determinante neste processo e condiciona nele a própria participação.”
O arcebispo assinala que a humanidade “está de passagem para um novo momento da história”. “Esta travessia não é fácil. É preciso conseguir passar da tristeza para a alegria, do absurdo para o sentido profundo da existência, do desalento para a esperança que não engana”.
“Esta é uma experiência de encontro pessoal com Cristo. Sem Ele, a realidade será sempre um enigma indecifrável”, afirma Dom Walmor.
(Alexandre Ribeiro)
















