ZP10020503 - 05-02-2010
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Norte-americanos buscam mudança política e econômica real


A encíclica Papal oferece bússola moral para os mercados


Por Carl Anderson*

NEW HAVEN, sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Os norte-americanos continuam vendo o país seguir na direção equivocada.

Durante 2008, o presidente Barack Obama percebeu claramente esse estado de ânimo e brilhantemente aproveitou o momento com o lema da campanha. “A mudança na qual podemos acreditar”. Agora, com um ano na presidência, Washington parece incapaz de cumprir, e os americanos estão perdendo cada vez mais a confiança no governo.

Uma recente pesquisa dos Cavaleiros de Colombo e dos Maristas mostra que, enquanto Obama conta com a aprovação geral da maioria da população americana, praticamente seis de cada 10 estão perdendo confiança na capacidade de Washington para tratar a crise econômica.

Além disso, 55% dizem que o aumento da regulação governamental só vai prejudicar ainda mais a economia.

Mas já que o povo dos Estados Unidos não apoia o aumento da regulação e diminui sua confiança na resposta do governo à economia, apenas dá a Wall Street um voto.

De fato, cada vez mais pessoas estão descontentes com as condições na comunidade empresarial.

Não será suficiente para os negócios simplesmente se opor a uma maior regulação do governo, porque a maioria dos americanos não quer uma legislação governamental descontrolada. E, além disso, eles não confiam nos líderes empresariais.

81% dos americanos acreditam que os líderes empresariais têm um conjunto diferente de normas éticas para o trabalho e para sua vida pessoal. E 75% dizem que isso não é correto.

O povo quer uma mudança em relação aos negócios e finanças.

As pessoas querem um nível mais alto e mais forte de compromisso com a ética nos negócios.

Esse sentimento do povo americano não pode ser rejeitado como populismo zangado. Pelo contrário, os americanos estão insistindo em um mercado livre e com regras que tenham sentido. Eles veem - e com razão - que uma bússola moral é o fundamento essêncial dos mercados livres.

Como os americanos fazem em suas próprias vidas, esperam que o mercado avalie tais normas com honestidade, o jogo limpo e a preocupação com o próximo. Estes sempre foram o melhor do “estilo de vida americano”, e é a única maneira pela qual os líderes empresariais podem reconstruir sua relação com o povo americano.

Os executivos e as empresas são capazes de implantar uma versão atual do livre mercado na trilha da “mudança na qual podemos acreditar?”

Ética nos negócios

Curiosamente, em 1985, Bento XVI, então cardeal Ratzinger, advertiu das consequências de um sistema que elimina sua base moral. Ele disse: “Está-se convertendo em um fato cada vez mais evidente da história econômica que o desenvolvimento dos sistemas econômicos se concentram no bem comum e dependem de um sistema ético determinado, que por sua vez só pode nascer e se manter sozinho por fortes convicções religiosas. Pelo contrário, também há fatos evidentes de que a diminuição dessa disciplina pode causar realmente o colapso das leis do mercado”.

Observamos de forma separada a ética e o mercado, e vimos o colapso do mercado sob o peso de práticas de investimento gananciosas e egoístas. A pergunta é: podemos alcançar um sistema de mercado ético?

No ano passado, em uma pesquisa dos Cavaleiros de Colombo e dos Maristas, concluímos que 3/4 dos americanos e 94% dos executivos consideram que uma empresa pode ser ética e obter sucesso. O necessário é que essa maioria esmagadora abrace as decisões morais.

Se os executivos estiverem dispostos a intensificar suas normas éticas, então poderão proporcionar ao povo americano uma alternativa real à regulação do governo - que se mostra incapaz de resolver uma crise, e muito menos de impedir a próxima.

Mas se não quiserem limpar sua própria casa, os líderes empresariais vão deixar os americanos com a escolha forçada entre lançar-se aos joguetes de Wall Street ou à mão pesada de Washington.

Não é de estranhar que, além de ser pessimistas sobre as medidas do governo para resolver a crise econômica, a maioria dos americanos ve que a crise afeta pessoalmente. Em nossa pesquisa, 55% disseram que suas carreiras podem ser afetadas negativamente pelo entorno econômico atual.

Com a maioria dos americanos acreditando que serão afetados negativamente pela crise, isso não é um problema que vai desaparecer por si só.

Voto de não-confiança

Na rua há decepção - ou oposição - tanto à regulação do governo quanto à cobiça empresarial - nenhuma das duas pode resolver a quebra moral dos que separaram a ética da economia.

Até que o povo americano não veja a mudança em que pode acreditar, em Washington e em Wall Street, até que não veja decisões empresariais tomadas sobre uma base moral, a crise de confiança entre os trabalhadores e os consumidores continuará, e isso fica ruim para todos nós.

Mas há esperança. De fato, para os católicos que são proprietários de negócios, executivos, investidores e consumidores, devemos nos dar conta de que nossa própria falta de ação - ou falta de ação pública - está contribuindo para o silêncio em torno das dimensões morais da crise econômica.

Deveríamos dizer, com Shakespeare, que a culpa não está nas estrelas, mas em nós mesmos, e, uma vez que nos dermos conta disso, podemos dar conta também de que esta situação pode ser superada.

Bento XVI nos deu um grande roteiro para um futuro que inclui a ética na economia. Durante anos, e especialmente em sua mais recente encíclica Caritas in Veritate, tem nos mostrado um caminho para o futuro em que a ética está no centro da economia, não às margens.

Devemos despertar os 75% dos americanos e os 94% dos executivos que acreditam que se pode fazer dinheiro de forma ética. Com essa maioria, não deveria ser difícil fazer uma verdadeira diferença na forma de fazer negócios.

Esse é o tipo de mudança em que já acreditam 3/4 do país, e que poderia mudar o mundo para um lugar melhor para todos nós.

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Carl Anderson é Cavaleiro Supremo dos Cavaleiros de Colombo, e autor best-seller do New York Times.

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